O que é o Cristianismo
Parte I
1. Introdução
O presente trabalho não tem por objetivo esgotar conceitos
do que é o cristianismo. Iremos apresentar uma série de informações que em
muito enriquece nosso modo de ver e aprender o cristianismo.
Um definição muitíssimo interessante sobre o que é o
cristianismo resumida em uma pequena frase foi dada por C.S. Lewis[1]: “O cristianismo é, em si mesmo uma educação”[2].
No seu sentido mais amplo, educação significa o meio em que os hábitos,
costumes e valores são transferidos de uma geração para a geração seguinte. A
educação vai se desenvolvendo através de situações presenciadas e experiências
vividas por cada indivíduo ao longo da sua vida.
Isto nos leva a poder afirmar que, em seu conceito básico, o
cristianismo é o relacionamento pessoal com Jesus.
“A essência do cristianismo não são as crenças nem os padrões de
comportamento. É a realidade da comunhão, aqui e agora, com o Fundador vivo do
cristianismo, Jesus Cristo, o Mediador”[3]
Isto porque ao longo dos séculos, muitos cristãos que se
destacaram, reconheceram que o cristianismo, basicamente, envolve o
relacionamento pessoal com Jesus.
·
Oswald Chambers (1874-1917), escritor devoto,
declarou: “O cristianismo não é a devoção
a uma obra, ou a uma causa, ou a uma doutrina, mas a uma pessoa, o Senhor Jesus
Cristo”.[4]
·
O evangelista Billy Graham afirmou: “O cristianismo não é apenas ir a igreja aos
domingos. É viver 24 horas por dia com Jesus Cristo”.[5]
·
Stephen Neill, estudioso bíblico, disse: “O cristianismo não é a aceitação de certas
ideias. É uma atitude pessoal de crença e de devoção a uma pessoa.”[6]
·
John R. W Stott, teólogo, declarou: “Em essência, o cristão é alguém que tem um
relacionamento pessoal com Jesus Cristo”.[7]
Por que enfatizar o aspecto relacional do cristianismo?
Porque o relacionamento pessoal com Jesus é o centro e a alma do cristianismo.
O cristianismo é essencialmente Cristo e está fundamentado na pessoa e na obra
dEle. Se Cristo não foi quem afirmou ser, e não fez o disse que veio fazer, a
fundação está comprometida e toda a estrutura irá desmoronar.
Sem Cristo, o cristianismo fica sem sentido, perde seu
conteúdo. Cristo é o centro; tudo o mais gira em torno dEle. O cristianismo não
pode restringir-se a uma filosofia de vida ou em princípios éticos. Antes e
acima de tudo, preocupa-se com o relacionamento pessoal com Jesus.
Do ponto de vista das escrituras, conhecer Jesus é conhecer
Deus(Jo 8:19). Ver Jesus é ver Deus (Jo 12:45). Crer em
Jesus é crer em Deus (Jo 12:44). Receber Jesus é receber Deus (Mc
9:37). Honrar Jesus é honrar a Deus (Jo 5:23). Adorar Jesus é
adorar Deus (Ap 4-5). O relacionamento com Jesus é o mais importante
de tudo.
A Bíblia é predominantemente um livro sobre Jesus. O Mestre
assegurou para alguns judeus: “Examinai
as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de
mim testificam. E não quereis vinde a mim para tendes vida.” (Jo 5:39-40).
Os judeus a quem Ele falou, conheciam
a parte exterior, mas negligenciaram o conteúdo. Não é o livro que salva,
mas sim o Salvador a respeito de quem o livro fala. Jesus afirmou que as
Escrituras diziam a respeito dEle (Lc 24:27), “a meu respeito está escrito” (v.44; NVI;Hb10:7), e “são elas que de mim testificam” (Jo
5:39).
Antes de se prosseguir, pareceu-nos oportuno fazer algumas
breves considerações sobre como o cristianismo é identificado a partir de uma
ótica secular, comum e, em contraponto, passar rapidamente pela história
através dos séculos, para que tenhamos uma pequena visão dos desafios já foram
enfrentados e superados pelo que se estabeleceu chamar simplesmente de
cristianismo.
2. O significado comum de cristianismo.
Caso qualquer pessoa busque informações sobre o significado
do que seria cristianismo, certamente encontraria a seguinte definição:
“Cristianismo[8]
(do grego Xριστός, "Christós", messias) é uma religião abraâmica
monoteísta[9]
centrada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, tais como são
apresentados no Novo Testamento[10].
A fé cristã acredita essencialmente em Jesus como o Cristo, Filho de Deus,
Salvador e Senhor. A religião cristã tem três vertentes principais: o
Catolicismo, a Ortodoxia Oriental (separada do catolicismo em 1054 após o
Grande Cisma do Oriente) e o protestantismo (que surgiu durante a Reforma
Protestante do século XVI). O protestantismo é dividido em grupos menores
chamados de denominações. Os cristãos acreditam que Jesus Cristo é o Filho de
Deus que se tornou homem e o Salvador da
humanidade, morrendo pelos pecados do mundo. Geralmente, os cristãos se referem
a Jesus como o Cristo ou o Messias.
Os seguidores do
cristianismo, conhecidos como cristãos[11],
acreditam que Jesus seja o Messias profetizado na Bíblia Hebraica (a parte das
escrituras comum tanto ao cristianismo quanto ao judaísmo). A teologia cristã
ortodoxa alega que Jesus teria sofrido, morrido e ressuscitado para abrir o
caminho para o céu aos humanos; Os cristãos acreditam que Jesus teria ascendido
aos céus, e a maior parte das denominações ensina que Jesus irá retornar para
julgar todos os seres humanos, vivos e mortos, e conceder a imortalidade aos
seus seguidores. Jesus também é considerado para os cristãos como modelo de uma
vida virtuosa, e tanto como o revelador quanto a encarnação de Deus. Os
cristãos chamam a mensagem de Jesus Cristo de Evangelho ("Boas
Novas"), e por isto referem-se aos primeiros relatos de seu ministério
como evangelhos.
O cristianismo se
iniciou como uma seita judaica e, como tal, da mesma maneira que o próprio
judaísmo ou o islamismo, é classificada como uma religião abraâmica. Após se
originar no Mediterrâneo Oriental, rapidamente se expandiu em abrangência e
influência, ao longo de poucas décadas; no século IV já havia se tornado a
religião dominante no Império Romano. Durante a Idade Média a maior parte da
Europa foi cristianizada, e os cristãos também seguiram sendo uma significante
minoria religiosa no Oriente Médio, Norte da África e em partes da Índia.
Depois da Era das Descobertas, através de trabalho missionário e da
colonização, o cristianismo se espalhou para as Américas e pelo resto do mundo.
O cristianismo
desempenhou um papel de destaque na formação da civilização ocidental pelo
menos desde o século IV. No início do século XXI o cristianismo conta com entre
2,3 bilhões de fiéis, representando cerca de um quarto a um terço da população
mundial, e é uma das maiores religiões do mundo. O cristianismo também é a
religião de Estado de diversos países.”
2.1.
Denominações
As três divisões
principais do cristianismo são o catolicismo, a ortodoxia e o protestantismo:
Existem outros grupos cristãos que não se encaixam perfeitamente em uma destas
categorias primárias. O Credo Niceno é "aceito como autorizado pela Igreja
Católica Romana, Ortodoxa, Anglicana e as principais igrejas
protestantes." Há uma diversidade de doutrinas e práticas entre os grupos
que se autodenominam cristãos. Estes grupos são por vezes classificados sob
denominações, embora por razões teológicas muitos grupos rejeitam este sistema
de classificação. Outra distinção que às vezes é traçada é entre o cristianismo
oriental e o cristianismo ocidental.
2.2.
Catolicismo
A Igreja Católica
compreende as igrejas particulares, liderada por bispos, em comunhão com o
Papa, o Bispo de Roma, como sua mais alta autoridade em matéria de moral, fé e
governança da Igreja.
2.3.
Ortodoxia
A Ortodoxia Oriental
compreende as igrejas em comunhão com a Sé Patriarcal do Oriente, como o
Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Como a Igreja Católica Romana, a
Igreja Ortodoxa Oriental também tem sua herança à fundação do cristianismo
através da sucessão apostólica e tem uma estrutura episcopal, embora a
autonomia do indivíduo, principalmente nas igrejas nacionais, seja enfatizada.
Uma série de conflitos com o cristianismo ocidental sobre questões de doutrina
e autoridade culminou com o Grande Cisma. A Ortodoxia Oriental é a segunda
maior denominação única no Cristianismo, com mais de 200 milhões de adeptos.
2.4.
Protestantismo
No século XVI, Martinho
Lutero, Ulrico Zuínglio e João Calvino inauguraram o que veio a ser chamado de
protestantismo. Os herdeiros teológicos primários de Lutero são conhecidos como
luteranos. Os herdeiros de Zwingli e Calvino são muito mais amplas denominalmente
e são amplamente referidos como a Tradição Reformada. A maioria das tradições
protestantes se ramificam a partir da Tradição Reformada, de alguma forma. Além
dos ramos luteranos e reformados da Reforma, há o anglicanismo após a Reforma
Inglesa. A tradição anabatista foi amplamente condenada ao ostracismo por parte
dos outros protestantes na época, mas conseguiu uma medida de afirmação na
história mais recente. Alguns, mas não a maioria dos batistas preferem não ser
chamados de protestantes, alegando uma linha direta ancestral que remonta aos
apóstolos, no século I.
Os mais antigos grupos
protestantes se separaram da Igreja Católica no século XVI durante a Reforma
Protestante, seguido em muitos casos, por novas divisões.
Embora em uma primeira leitura, a conclusão de que a
abordagem, conforme estabelecida acima, poderia estar correta para definir o
que é cristianismo, certamente esta não é a melhor resposta.
Há, no mínimo, algo absolutamente irrefutável no
aparecimento e o desenvolvimento do cristianismo, mesmo quando narrado de forma
sistemática como visto no texto acima, que o diferencia das demais religiões. O
cristianismo tem como ponto central, a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo e cujo
o ensino é centrado na sua própria pessoa.
“O ensino centrado na própria pessoa imediatamente coloca Jesus à parte de
outros grandes líderes religiosos do mundo. Aqueles geralmente procuravam
desviar a atenção das pessoas para suas palavras, insistindo para que elas
seguissem o que elas entendiam como sendo verdade. Jesus, porém, declarou que Ele
era a verdade, portanto as pessoas deveriam segui-lo. Nenhum fundador de alguma
religião étnica ousou fazer tal afirmação”[12].
3.
Uma
breve abordagem histórica do cristianismo
3.1.
O Período
de Jesus e dos Apóstolos (6 A.C. – 70 D.C.)
As raízes do cristianismo remontam à história judaica
anterior ao nascimento de Jesus. Contudo, foi Jesus de Nazaré quem atacou o
judaísmo instituído e gerou um movimento de renovação da história no século I.
Após sua crucificação, determinada por Pôncio Pilatos,
oficial romano, os ensinamentos de Jesus espalharam-se pela região do
Mediterrâneo.
O apóstolo Paulo teve grande influência nesse processo. Deu
ênfase à salvação, dádiva de Deus para todos os homens, e alçou o cristianismo,
emergente do judaísmo palestino, à condição de religião universal.
3.2.
O
Período do Cristianismo Católico (70 – 312)
Nesse período, o cristianismo se espalhou por todo o Império
Romano e, provavelmente, pela Índia Oriental. Os cristãos compreenderam que
faziam parte de um movimento que se expandia rapidamente. E o chamaram de
“católico”. Isso sugeria um movimento universal, apesar do escárnio pagão e da
perseguição romana, e sugeria também a fé verdadeira em oposição a todas as
perversões dos ensinamentos de Jesus. Para enfrentar os desafios da época, os
cristãos recorriam cada vez mais aos bispos na liderança espiritual. O
cristianismo católico, portanto, foi marcado por uma visão universal, por
crenças ortodoxas e pela gestão episcopal da igreja.
3.3.
O
Período do Império Romano Cristão (312 – 590)
O Imperador Constantino é uma das maiores figuras da
história do cristianismo. Após sua conversão, o cristianismo passou do
isolamento das catacumbas para o prestígio dos palácios. O movimento começou no
século IV como uma minoria perseguida, e terminou o século como uma religião
oficial do Império. Assim, a igreja cristã uniu-se ao poder do Estado e assumiu
a responsabilidade moral por toda a sociedade. Para servir ao Estado, sua
doutrina foi refinada e sua estrutura, desenvolvida. Os monges se levantaram
para protestar contra a secularização da fé, mas quando os bárbaros
estraçalharam a metade ocidental do Império, até mesmo os beneditinos
alistaram-se como missionários junto aos pagãos.
Constantino representa o fim da era do cristianismo católico
e o início do império cristão (312-590). Os mártires corajosos pertenciam ao
passado. Começa assim a
cristianização do Império e a interferência imperial nos assuntos da igreja.
Podemos sentir as consequências
desses dois acontecimentos até hoje.
3.4.
A
idade Média Cristã (590-1517)
A Europa deve a fé cristã muito mais do que se pode
imaginar, Quando os bárbaros destruíram o Império Romano do Ocidente, foi a
igreja cristã que construiu uma nova ordem chamada Europa. A igreja assumiu a
liderança ao governar pela lei, ao perseguir o conhecimento e a expressões da
cultura. O conceito subjacente era cristandade, que uniu o Império e a igreja.
Começo sob o domínio de Carlos Mágno, no século VIII, mas lentamente os papas
foram assumindo o poder até que Inocêncio III (1198-1216) ensinou a Europa a
pensar nos papas como governantes universais. Os séculos posteriores, todavia,
viram os papas corrompidos pelo poder, e cada vez mais, militantes reformadores
exigirem mudanças.
3.5.
A Era
da Reforma (1517-1648)
O espírito da reforma irrompeu com surpreendente intensidade
no século XVI, dando origem ao Protestantismo e arruinando a liderança papal da
cristandade ocidental. Quatro são as tradições principais que marcaram o
protestantismo nascente: luterana, reformadora, anabatista e anglicana. Após
uma geração, a igreja de Roma, liderada pelos jesuítas, recobrou seu favor
moral. Seguiram-se sangrentas batalhas entre católicos e protestantes e a
Europa foi sacudida pela guerra antes que se tornasse obvio que a cristandade
ocidental estava permanentemente dividida. Alguns pioneiros apontaram o
caminho: o conceito denominacional de igreja.
3.6.
O Período
da Reforma e do Reavivamento (1648 – 1789)
A era da Reforma foi marcada pelo debate entre cristãos
sobre salvação. Já o que caracterizou a Idade da Razão foi a negação de
qualquer religião sobrenatural. O respeito pela ciência e pela razão
substituíram a fé cristã como pedra fundamental da cultura ocidental. Muitos
protestantes enfrentaram essa crise de fé não com argumentos, mas com a
experiência da conversão sobrenatural. A fé era mais uma experiência do que um
dogma. Esse cristianismo evangélico espalhou-se rapidamente pelo poder da
pregação. Muitos cristãos, então, perceberam que o apoio do Estado não era mais
essencial à sobrevivência do cristianismo. E os cristãos modernos puderam
aceitar a liberdade religiosa.
3.7.
A Era
do Progresso (1789 – 1914)
A Revolução Francesa acenou com novas esperanças para as
pessoas comuns, assim como a ciência apresentou novas questões ao cristão
tradicional. O poder parecia estar ao alcance das massas. Para o cristianismo,
isso significava o acréscimo de uma nova inquietação social ao desafio das
dúvidas intelectuais. Como os cristãos deveriam encarar as necessidades das
massas urbanas? Seria o homem um simples produto das forças de evolução? Os
cristãos estavam seriamente divididos quanto à maneira de se encarar esse
problemas. Sem o apoio tradicional do Estado, os protestantes voltaram-se para
as sociedades voluntárias para atender ao pobre e ao oprimido, bem como para
levar o evangelho para outas terras.
Os historiadores veem esse acontecimento fatídico como o
nascimento de uma nova era: a era do progresso (1789 – 1914). A Batalha era um
símbolo do velho regime: o governo absoluto dos monarcas e a tradicional
sociedade feudal que consistia da Igreja Católica, da aristocracia rica e de
plebeus sem poder. A multidão tumultuosa simbolizava a nova era, o século XIX,
e os direitos do homem comum.
A base sólida da crença popular era a doutrina do progresso
humano. Se o tumulto e o derramamento de sangue que se seguiram à queda da
Bastilha levantaram dúvidas sobre as condições do caminho do progresso, poucos
duvidaram de que a história avançava num movimento ascendente. A raça humana
estava melhorando e sendo mais feliz. De qualquer forma, esse era o novo credo.
O cristianismo seguiu seu caminho em meio a esse tumultuado
período, mas sob condições adversas. O século XIX foi atingido por diferentes
correntes que se cruzavam, e por vezes os cristãos encontravam dificuldade para
desvendar o caminho certo. Os protestantes sentiram o impacto, mas a Igreja
Católica Romana, devido a sua longa associação com a antiga ordem, sentiu que
muitos de seus tesouros do passado eram violentamente levados pelo vento dos
tempos modernos.
O evangelho
democrático da Revolução Francesa baseava-se no glorificação do homem em vez de
se basear na glorificação de Deus. A Igreja de Roma reconhecia isto e se
apavorou com a heresia, como sempre fizera. Ela viu com muita mais clareza do que várias igrejas protestantes que o
diabo, quando lhe é conveniente, é democrático.
O fato de dez mil pessoas contarem uma mentira não
transforma a mentira em verdade. Essa é uma importante lição dessa era para os
cristãos de qualquer época. A liberdade de votar e a oportunidade de aprender
não asseguram a instauração da utopia. A
fé cristã sempre insistiu em que a brecha na natureza humana é algo muito mais
fundamental do que qualquer falta nas instituições políticas ou sociais.
3.8.
A Era
das Ideologias (1914 – 1996)
O século XX presenciou as batalhas de gigantes políticos e
militares: comunismo, nazismo e americanismo. Um novo paganismo surgiu na
defesa das leis econômicas, da paixão racial e dos direitos humanos. Os
cristãos sofreram, pensaram e se uniram de novas maneiras. Os protestantes
alcançavam uns aos outros em movimentos de união. Católicos romanos lutavam
para atualizar sua igreja. E cristãos do terceiro mundo emergiam como o grande
novo acontecimento da era.
Essa breve abordagem da história do cristianismo, aqui é
lançada, para que dessas coisas não sejamos ignorantes, lembrando o apóstolo
Paulo quando instruía seus irmãos em Cristo, portanto a nós também. Isto faz
com que vejamos que inúmeras desafios já foram enfrentados e vencidos pelo que
se estabeleceu chamar de cristianismo.
Ao narrar sobre o desenvolvimento da Igreja Cristã através
dos tempos, Bruce L. Shelley[13], destaca que depois de
2000 anos, o cristianismo é a fé, pelo menos nominalmente, de um terço da população
mundial. Iniciada com um punhado de pescadores, coletores de impostos e alguns jovens
numa obscura província da Judéia, essa fé se espalhou pelo planeta clamando
pela lealdade de mais de um bilhão de pessoas.
Um dos aspectos mais marcantes do “cristianismo de hoje” é que poucos que se professam estudam
seriamente a história de sua religião. A
“educação cristã”, em muitas denominações tem feito pouco para oferecer a seus
membros um entendimento adulto da fé que elas professam. Será, então, motivo de
surpresa ver um cristão de hoje cometer erros grosseiros sobre sua crença ou
defender alguma prática pagã como conduta “cristã”?
É sempre oportuno lembrar que para se avançar na caminhada
cristã, deve-se incluir um olhar determinado para a imagem de Deus, revelada em
Jesus. Nossa confiança reside em uma pessoa.
Na pessoa de Jesus Cristo. Ele é um homem para todos os tempos. Em um tempo em
que era visto por todos com alguém sem importância, uma relíquia de um passado
rapidamente descartado, a história da igreja oferece um silencioso testemunho
de que Jesus Cristo está presente e sua verdade permanecerá para sempre
Parte II
4. O que é Cristianismo?
Como já vimos o cristianismo – em seu conceito mais básico –
é o relacionamento pessoal com Jesus.
Ao enfatizar, como também já foi dito, que o Cristianismo é
essencialmente Cristo e está fundamentado na sua pessoa e na obra dEle, estamos
dizendo que não é somente preocupar-se em seguir sua filosofia ou seus
princípios éticos. É o conviver e caminhar juntos.
4.1.
Jesus
é o ponto central do Cristianismo
As principais doutrinas (ou ensinamentos) do cristianismo,
até mesmo as doutrinas de Deus, do homem, da salvação, da igreja e da vida após
a morte, estão diretamente vinculadas a Cristo. Cristo é a linha que liga todas
essas doutrinas e, por conseguinte, amarra a Bíblia como um todo. Diante disso,
podemos afirmar que: “a Bíblia é o
testemunho do Pai para o Filho, por intermédio do Espírito Santo”.
Essencialmente, a Bíblia é um manual da salvação. Seu
propósito, do começo ao fim, não é ensinar fatos da ciência que os homens podem
descobrir por meio da investigação empírica, mas os fatos da salvação que
nenhuma exploração do espaço pode descobrir, pois apenas a Bíblia pode
revelá-los. Ela toda revela o esquema da salvação – a criação do homem à imagem
e semelhança de Deus, sua queda por meio da desobediência, ficando ele imerso
no pecado, sob julgamento, e o contínuo
amor de Deus por ele apesar de sua rebelião; o plano eterno de Deus para
salvá-lo por meio de sua aliança da graça com o povo escolhido, algo que
culminou em Cristo; a vinda de Cristo como Salvador, sua morte para carregar o
pecado do homem, sua ressurreição dentre os mortos, sua exaltação ao céu e o
envio do Espírito Santo; o resgate do homem, em primeiro lugar, da culpa e da
alienação e, depois, da escravidão e, por fim, da mortalidade em sua
experiência progressiva da liberdade dos filhos de Deus.
“Bíblia” e “evangelho” são termos quase alternativos, pois a maior
função da Bíblia em toda a sua extensão e amplitude é dar testemunho acerca de
Jesus Cristo.”
4.1.1.
A
Natureza de Cristo
A pergunta “Quem é Cristo?” apresenta a melhor resposta na
declaração e explicação dos nome e títulos pelos quais ele é conhecido. Assim
temos: Cristo; Senhor; Filho do homem; Filho de Deus; A Palavra; Filho de Davi;
Salvador.
Cristo
“Cristo” (christos) é a forma grega da palavra hebraica “Messias” (messiah) que literalmente significa “o Ungido”. O
evangelho escrito por João, mostra que os dois termos são iguais. Quando André
diz a Pedro: “achamos o Messias”, João
acrescenta esta nota: “(que traduzido, é
o Cristo) (Jo 1:41). A
palavra é sugerida pelo costume de ungir com óleo, o símbolo da consagração
divina de servir.
Em Atos, Cristo possui a força de
um título, 3:18. Paulo parece usá-lo neste sentido (Rm 6 e 9).
O costume da “unção” era
hebraico, portanto, é possível que em razão da não compreensão imediata do
significado, tenha-se usado o termo como um nome próprio pelos gentios cristãos
de fala grega.
É muito interessante o fato de os
seguidores de Jesus não serem chamados de “jesuítas”, mas cristãos, At 11:26,
isto é, não pelo nome, mas pelo título;
“E sucedeu que todo um
ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram
os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos”
O Novo testamento é claro em
relação ao fato de que Jesus é o Messias prometido. Lembremos que os anjos
identificam Jesus, ao anunciar seu nascimento aos pastores do campo, desta
maneira: “Na cidade de Davi, vos nasceu
hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor (Lc 2:11)”. Depois
Simeão, cheio do Espírito Santo, reconheceu o menino Jesus como Cristo,
cumprindo-se, dessa forma, a promessa que Deus lhe fizera de que “não morreria antes de ter visto o Cristo do
Senhor”.
Centenas de profecias messiânicas
do Antigo Testamento apontam para um único Messias ou Cristo – Jesus Cristo. Por exemplo: Isaías predisse o
nascimento virginal do Messias (Is. 7:14), a divindade e o reinado
dEle (9:1-7), o seu reino de justiça (11:2-5), seu
sofrimento e sua morte (52:13 – 53:12), dentre outras.
Sem dúvida outras pessoas
reconheceram que Jesus era o Cristo ou o Messias profetizado. Pedro (Mt.
16:16), Marta (Jo:11:25-27), além de Maria, Isabel, magos,
Herodes, João Batista, etc.
Jesus não reclamou a posição para
si mesmo. Ele não tomou a iniciativa de impor-se como tal. Por que? Devido a
percepção errada que se tinha sobre as características do Messias, o conceito
judaico de messianidade, vide Mt 16:22. Jesus esperou que a revelação chegasse
aos discípulos e eles mesmos confessassem, v. 16. A partir de então, Jesus
aceita o título e redefine a messianidade nos termos de sofrimento e morte, v.
21.
Após sua prisão, Jesus ficou
diante de Caifás, o sumo sacerdote, que exigiu: “Conjuro-te pelo Deus vivo que nos diga se tu és o Cristo, o Filho de
Deus”. Jesus respondeu-lhe: “Tu o
disseste” (Mt 26:63-64).
O sinal contraditado profetizado
por Simeão manifesta-se no julgamento de Jesus diante do sumo sacerdote, em que
o conceito judaico de messianidade contradizia o que se tornou “Messias
crucificado”, pedra de trapeço para o devoto judeu, a confissão de fé de todo o
cristão(1Co 1:23) e o assunto de toda a pregação cristã inicial (At.
3:18):
“Mas Deus assim cumpriu
o que já dantes pela boca de todos os seu profetas havia anunciado: que o
Cristo havia de padecer.”
Senhor
Kurios, palavra ambígua, podendo
ser usada como sinal de respeito ou como reconhecimento de autoridade,e conforme
Jo 20:15; 20:28.
Senhor é um dos títulos mais
comuns dado a Jesus. Esse título indica sua divindade, exaltação e sabedoria.
Para o gentio referia-se ao
imperador ou rei, com nuanças religiosas (líderes divinos...); ao deus de um
grupo ou aos deuses.
Opondo-se exatamente a tudo isto,
usava-se kurios, com frequência, para se referir a Jesus (Mc 7:28), “Senhor e Deus”. Para o Judeu, porém, se
revestia de autoridade divina, visto que a versão dos LXX (Septuaginta) o
Yahweh era substituído por esse termo.
Para o judeu cristão, “Senhor” expressa a completa divindade
de Cristo e sua igualdade com Deus; significa que qualquer uma das funções
divinas pode ser atribuída a Ele (Hb 1:10). Em Atos, as orações eram
dirigidas a Jesus como Senhor, At 7:59, único Senhor, 1Co 8:5-6.
Filho
do homem
Título favorito escolhido pelo
próprio Jesus. Doze vezes usado no evangelho de João. Setenta vezes citado nos
sinópticos.
O título também é ambíguo por
possuir dois sentidos distintos no Antigo Testamento:
·
Simplesmente homem, representativo da figura
terrena (Sl 8:4; Ez 2:1);
·
Figura celestial, quase divina, Dn 7:13
(expectativa dos judeus).
Assim como não havia “Messias
sofredor”, não deveria haver “o Filho do homem há de padecer” (Mt 17:12), para
o judeu.
Jesus, ao referir-se a si mesmo
como “Filho do homem” expressa a seguinte mensagem: “Eu, o Filho de Deus, sou
homem, no que diz respeito à fragilidade, ao sofrimento e, até mesmo à morte.
Todavia, ainda estou em contato com o céu, de onde vim, e mantenho um
relacionamento tal com Deus que posso perdoar pecados (Mt 9:6); como
também sou superior aos regulamentos religiosos que somente têm significado
temporal e nacional (Mt 12:8). Essa natureza humana não cessará após
eu passar pelos últimos períodos de sofrimento e morte, os quais devo suportar
para a salvação do homem e para consumar a minha obra. Porque subirei e a
levarei comigo ao céu, de onde voltarei para reinar sobre aqueles cuja natureza
tomei sobre mim.
A humanidade do Filho de Deus era
real, e não fictícia. Ele, conforme a descrição, realmente padeceu fome, sede,
cansaço, dor e esteve sujeito, em geral, às fragilidades da natureza humana,
porém sem pecado.
Pedro, (At 2:22); e Estevão, (At 7:56),
apontam, pelo contexto, para o “Filho do homem” celestial e não o da
representação humana
Filho
de Deus
Da mesma forma que “Filho do
homem” significa nascido de homem, assim também “Filho de Deus” significa
nascido de Deus. Por isso, dizemos que esse título proclama a divindade de
Cristo. Jesus nunca é chamado um Filho de Deus, como os homens e os anjos, chamados
filhos de Deus (Jó 2.1). Ele é o
Filho de Deus, em sentido único.
Em suas afirmações, Jesus
equiparou-se à atividade divina: “Meus
Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando” (Jo
5:17); “Eu vim do Pai” (Jo
16:28); “o Pai me enviou” (Jo
20:21); Ele afirmava ter comunhão e conhecimento divinos (Mt 11:27;
Jo 17:25). Afirmava revelar a essência do Pai em si mesmo (Jo 14:9-11).
Ele assumiu prerrogativas divinas: onipresença (Mt 18:20); poder de
perdoar pecados (Mc 2:5-10); poder de ressuscitar os mortos (Jo
6:39-40, 54; 11:25; 10:17-18). Proclamou-se juiz e árbitro do destino do
homem.
Essas veementes afirmações foram
feitas por aquele que viveu como o mais humilde dos homens e foram proferidas
de modo simples e natural. É imprescindível que para se chegar à conclusão de
que Cristo era divino, em sua época, fazia-se necessário admitir-se somente
duas coisas: a primeira que Ele não era um homem mau; a segunda que Ele não era
demente. Se Ele dissesse que era divino, sabendo que não era, então não poderia
ser bom; se Ele equivocadamente imaginasse que fosse Deus, então não poderia
ser sábio. Contudo, nenhuma pessoa sensata sonharia em negar o caráter perfeito
de Jesus ou sua sabedoria superior. Em consequência disso, é inegável concluir
que ele era o que ele próprio disse ser – Filho de Deus, em sentido único.
Além disso, o título foi usado
livremente nos evangelhos. Em Mateus e Lucas o título associa-se ao nascimento
virginal (Mt 1:23; Lc 1:35). Em Marcos e João, enfatizam a origem celestial.
É a expressão favorita nos
escritos de Paulo e está presente em sua pregação, conforme Rm 1:4 e At 9:20.
Portanto, ser Filho, significa
ser Deus. A frase “Filho de Deus” afirma a divindade de Cristo.
A
Palavra
Cristo é a Palavra ou o Verbo (Jo
1:1-14; 1Jo 1:1-2; Ap 19:13). Por meio da Palavra, do Verbo que se fez
carne, Deus revelou sua atividade, sua vontade e propósito e, por meio dEle,
também tem contato com o mundo. Expressamo-nos por meio da palavra; o eterno
Deus se expressa a si mesmo por meio do seu Filho, o qual é “a expressão do seu
ser” (Hb 1:3). Cristo é a Palavra de Deus, porque revela Deus e o
demonstra em pessoa. Ele não somente traz a a mensagem de Deus – Ele é a
mensagem de Deus.
É certo que Deus se revelou pela
palavra profética, por meio de sonhos, de visões e de manifestações temporais.
Contudo, o homem se angustiava e tinha esperança de obter uma resposta mais clara à seguinte pergunta: como
Deus é? Para responder a essa pergunta, surgiu o evento mais importante da História
– “Aquele que é a Palavra se fez carne” (Jo 1:14). A Palavra eterna
de Deus assumiu a natureza humana e tornou-se homem, a fim de revelar o eterno
Deus por meio de uma personalidade humana. “Há
muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados
por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho” (Hb
1:1-2). De modo que à pergunta “Como é Deus?”, o cristão responde: Deus é como Cristo, por que Cristo é a
Palavra – a ideia que Deus tem de si mesmo. Isto é, Cristo é “a expressão
exata do seu ser” (Hb 1:3), “a imagem do Deus invisível” (Cl
1:15).
Filho
de Davi
Este título é equivalente a
“Messias”, pois uma qualidade importante do Messias era sua descendência
davídica.
No entanto, o título “Filho de Davi”,
não era uma descrição completa do Messias, porque acentuava principalmente sua
descendência humana. Por isso, o povo, ao ignorar as Escrituras que falavam da
natureza divina de Cristo, esperava um Messias humano que seria segundo Davi.
Em certa ocasião, Jesus procurou elevar os pensamentos dos chefes sobre esse
conceito incompleto. “O que vocês pensam
a respeito de Cristo? De quem ele é filho? Então responderam tais chefes: É filho de Davi? (Mt 22:42-46). Depois Jesus citando o Salmo 110,
perguntou: “O próprio Davi o chama
‘Senhor’. Como pode, então, ser ele seu filho?” (Mc 12:37). Como
pode o Senhor de Davi ser filho de Davi? – foi a pergunta que confundiu os
fariseus. A resposta naturalmente é esta: o
Messias é tanto Senhor quanto filho de Davi. Pelo milagre do nascimento
virginal, Jesus nasceu de Deus e também de Maria. Portanto Ele era Filho de Deus e Filho do homem. Como Filo de Deus
Ele é Senhor de Davi; como filho de Maria, Ele é filho de Davi.
Salvador
O próprio nome de Jesus já
continha essa ideia. “Mas quando chegou a
plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo
da Lei, a fim de redimir os que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a
adoção de filhos” (Gl 4:4-5). Ao entrar no mundo, deu-se o
expressivo nome que descrevia sua missão suprema: “Você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos
seus pecados” (Mt 1:21).
Os primeiros pregadores do
evangelho não precisavam explicar ao judeus o significado do nome “Salvador”;
eles já tinham aprendido a lição por sua
própria história (At 3:26; 13:23). Os judeus entenderam que a
mensagem do evangelho significava que, assim como Deus enviara Moisés para
libertar Israel da escravidão do Egito, da mesma forma ele tinha enviado Jesus
para resgatar o povo de seus pecados. Eles entenderam a mensagem, mas
recusaram-se a crer.
Crucificado, Cristo cumpriu a
missão indicada pelo seu nome, Jesus, pois salvar o povo de seus pecados implica
expiação, e expiação implica morte. Como em sua morte, assim também durante sua
vida ele viveu à altura de seu nome. Foi sempre o Salvador.
4.2.
O
Cristianismo é uma religião de resgate
O Cristianismo é uma religião de resgate. Ele declara que
Deus tomou a iniciativa, através de Jesus Cristo, de libertar-nos dos nosso
pecados. Este é o tema central da Bíblia.
E lhe porá o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados
deles. (Mt 1:21)
Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido. (Lc 19:10)
Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao
mundo para salvar os pecadores. (1Tm 1:15)
E nós temos visto e testemunhado que o Pai enviou o seu Filho com
Salvador do mundo. (1Jo 4:14)
Mais especificamente, uma vez que o pecado acarreta três
consequências principais, a “salvação” inclui a libertação de todas elas.
Sem Cristo estávamos
afastados de Deus; éramos escravos do pecado; e não tínhamos comunhão uns para
com os outros.
Através de Cristo, podemos nascer de novo, receber uma nova
natureza, nos libertarmos de nossa escravidão moral; e podemos ter as velhas
desavenças substituídas por uma comunhão de amor.
O primeiro aspecto da salvação – a reconciliação com Deus –
Cristo tornou possível por meio de seu sofrimento e morte; o segundo aspecto –
a libertação do pecado – por meio de seu Espírito; e o terceiro – restauração
de relacionamentos – por meio da edificação de sua igreja.
4.3.
O
Novo Nascimento
A natureza humana pode ser mudada? Como uma pessoa amarga
pode se transformar numa pessoa agradável, a orgulhosa se tornar humilda, e a
egoísta abnegada? A Bíblia afirma enfaticamente que esses milagres podem
acontecer. Isso é parte da glória do
evangelho. Jesus Cristo pode mudar não somente a nossa condição diante de Deus,
mas também a nossa natureza. Ele disse a Nicodemos que era imprescindível
nascer de novo, e suas palavras também se aplicam a nós: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não
pode ver o reino de Deus... Não te admires de eu te dizer: Importa-vos nascer
de novo”. (Jo 3)
A afirmação do apóstolo Paulo é ainda mais dramática: “se alguém está em Cristo, nova criatura é;
as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. (2Co 5:17)
Esta é a possibilidade a que o Novo Testamento se refere: um novo coração, uma
nova natureza, um novo nascimento, uma nova criatura.
Esta tremenda mudança interior é obra do Espírito Santo. O
novo nascimento é um nascimento “do alto”. Nascer de novo é “nascer do Espírito”.
Não cabe aqui uma discussão sobre o ministério da Trindade. Para nosso estudo,
porém é importante salientar que o Espírito Santo não surgiu, nem começou a
agir no Pentecostes. Ele é Deus, portanto, é eterno e está atuando no mundo
desde o principio.
Aquilo que os profetas do Antigo Testamento anunciavam e
aguardavam ansiosamente, que Deus colocasse seu Espírito dentro de seu povo,
Cristo prometeu como uma expectativa imediata. Poucas horas antes de morrer, a
sós com seus apóstolos, no cenáculo, Ele falou do “Consolador”, o “Espírito da
verdade” que viria e assumiria o seu lugar.
Isto é o que nos ensina a Bíblia. Que quando confiamos em
Jesus Cristo e assumimos um compromisso com Ele, o Espírito Santo vem habitar
em nós. Ele é enviado por Deus “aos nosso corações”. Ele faz do nosso corpo o
seu templo.
Isso não quer dizer que estaremos isento da possibilidade de
pecar. Ao contrário, de certa forma, o conflito é mais intenso, mas por outro
lado, ele nos ajuda a obter a vitória.
É pelo Espírito de Cristo que podemos ser transformados à
imagem de Cristo, enquanto olhamos fixamente para Ele.
Temos que fazer a nossa parte – isso inclui arrependimento,
fé e disciplina – mas essencialmente, a santificação é obra do Espírito Santo.
Foi através da morte redentora que a punição pelos nossos
pecados pôde ser perdoada. Através do seu Espírito, que habita em nós, o pecado
deixou de exercer seu poder sobre nós.
4.4.
A
Igreja de Cristo
O pecado nos separa, não somente de nosso Criador, mas
também de nossos semelhantes, nossos companheiros. Sabemos por experiência
própria como uma comunidade, seja ela qual for: uma faculdade, um hospital, uma
empresa, ou um escritório, pode se tornar um antro de inveja e animosidade. É
notória a dificuldade de vivermos em comunhão.
Mas o plano de Deus é reconciliar-nos uns com os outros e
com Ele.
Em Cristo o povo de Deus não seria mais uma nação separada,
mas uma comunidade de pessoas oriundas de todas as raças, línguas e nações. “Ide”, O Senhor ressurreto ordenou aos
seu seguidores. “fazei discípulos de
todas as nações...”. à soma total desses discípulos ele chamou “minha
igreja”. (Mt 28:19; 16:18)
Uma das imagens mais impressionantes usadas pelo apóstolo
Paulo para expressar a unidade dos que creem em Cristo é o corpo humano. A
Igreja, ele diz, é o corpo de Cristo. Cada cristão é um membro ou órgão do
corpo, e Cristo é a cabeça, controlando as atividades do corpo. Nem todos os
órgãos têm a mesma função, mas todos são necessários para que o corpo seja
plenamente saudável e útil.
O corpo como um todo é também animado por uma vida comum que
é o Espírito Santo. É a sua presença que dá unidade ao corpo. É ele que dá
consistência à unidade da igreja. “Há
somente um corpo e um Espírito”, enfatiza Paulo. Mesmo as divisões externas
e denominacionais, embora lamentáveis, não podem destruir sua unidade
espiritual interior. Essa unidade é indissolúvel, pois é a “unidade do Espírito” ou “comunhão
do Espírito”. (Ef 4:3-4; Fl 2:1; 2Co 13:13) Quando partilhamos
dessa comunhão, desfrutamos de uma profunda e permanente união.
Não faz o menor sentido declarar que fazemos parte de um
corpo maior, a igreja universal, se na prática não participamos de uma de suas
manifestações locais. É na igreja local que temos oportunidade de adorar a
Deus, desfrutar da comunhão com os irmãos e servir à comunidade de modo mais
amplo.
Precisamos ter em vista, também, que nem todos os membros da
igreja visível fazem parte da verdadeira igreja de Jesus Cristo. Alguns cujos
nomes estão inscritos no rol de membros da igreja, nunca terão os seus nomes
“arrolados nos céus”. A Bíblia faz referência a este fato. No entanto, não nos
cabe julgar, pois o “Senhor conhece os que lhe pertencem”. Somente Deus pode
ver os corações.
Certamente a história da igreja relata muitos casos
manchados pela estupidez e pelo egoísmo, ou até mesmo por desobediência aberta
aos ensinamentos de Cristo. No entanto, o local do cristão é na igreja local,
por mais imperfeita que possa ser. É ali que ele deve buscar a nova qualidade
de relacionamento que Cristo dá a seu povo, e partilhar da comunhão na adoração
e testemunho da igreja.
5.
Conclusão
Neste estudo, tivemos a oportunidade de observar que o
cristianismo básico consiste em um relacionamento íntimo com Cristo, fundador
vivo do cristianismo.
Vimos também que a percepção comum do que seja cristianismo,
está muito distante do que realmente isto pode significar. Mesmo ao lançar mão
de uma perspectiva histórica de sua trajetória, não encontramos o sentido real
que faz com que bilhões de pessoas se autodenominem seguidoras de Cristo.
O Cristianismo é Deus agindo. Deus falou e agiu por meio de
Jesus Cristo. Ele disse algo. Ele fez algo. Isto significa que o cristianismo
não se resume em palavras piedosas; também não se trata de conceitos religiosos
ou um conjunto de regras. Cristianismo é “evangelho”, isto é, boas novas. Nas
palavras o apóstolo Paulo, “o evangelho de Deus... com respeito a seu Filho...
Jesus Cristo, nosso Senhor”. (Rm 1:1-4) Não se trata de um convite
para o homem fazer alguma coisa; acima de tudo, é uma declaração do que Deus
fez por nós em Cristo.
Bibliografia:
História
do Cristianismo ao Alcance de Todos, Bruce L. Shelley, São Paulo, Shedd
Publicações, 2004;
Conhecendo
as Doutrinas da Bíblia, Meyr Pearlman, São Paulo, Editora Vida, 3ª Ed., 2009;
Cristianismo
Básico, John R. W. Stott, Viçosa/MG, Tltimato, 1ª Ed., 2007;
Cristianismo
Segundo a Bíblia, Ron Rhodes, Rio de Janeiro, CPAD, 1ª Ed., 2007;
Cristianismo
Autêntico (Textos Selecionados da Obra de John Stott), Timothy Dudley – Smith,
São Paulo, Editora Vida, 2001;
Cristologia
– Estudo da Pessoa e da Obra de Cristo, Joubert de Oliveira Sobrinho, – Curso
de Formação de Líderes – ICF, 2012;
Bíblia
de Estudos Pentecostal, João Ferreira de Almeida, Revista e Corrigida, CPAD,
Edição de 1995;
Citações:
[1] Cristianismo
Puro e Simples – Clive Staples Lewis, Martins Fontes, São Paulo, 2005
[2] "PRUDÊNCIA – A prudência significa a
sabedoria prática, parar para pensar nos nossos atos e em suas consequências. Nos
dias de hoje, a maioria das pessoas já não considera a Prudência uma
"virtude". Inclusive, como Cristo disse que só entrariam em seu Reino
os que fossem como crianças, muitos cristãos pensam que podem ser tolos, desde
que sejam "bonzinhos". É um erro. Em primeiro lugar, muitas crianças
demonstram ter bastante "prudência" quando fazem coisas que são do
seu interesse, e conseguem pensar a respeito dessas coisas com bastante
sensatez. Em segundo lugar, como esclarece São Paulo, Cristo nunca quis que
fôssemos como crianças na inteligência - muito pelo contrário. Ele nos exortou
a ser não apenas "simples como as pombas", mas também
"prudentes como as serpentes". Quer de nós um coração de criança, mas
uma cabeça de adulto. Quer-nos simples, centrados, afetuosos e dóceis no
aprendizado, como as boas crianças são; mas também quer que cada
fração da inteligência que
possuímos esteja alerta e afiada para a batalha. O fato de você dar dinheiro
para uma obra de caridade não quer dizer que não deva tentar saber se a
instituição de caridade é fraudulenta ou não. O fato de você pensar em Deus
(por exemplo, quando ora) não significa que deva contentar-se com as crenças
infantis que alimentava aos cinco anos de idade. É verdade que Deus não deixará
de amar ninguém, nem deixará de utilizar uma pessoa como seu instrumento por
ter nascido com um cérebro de segunda classe. Ele tem um coração grande o
suficiente para abrigar pessoas de pouco senso, mas quer que cada um de nós
use o senso que lhe coube. Não devemos ter como lema "Seja boa, doce
menina, e deixe a inteligência para quem a possui", mas sim "Seja
boa, doce menina, e não se esqueça de ser o mais inteligente que puder". Deus não detesta
menos os intelectualmente preguiçosos do que qualquer outro tipo de preguiçoso.Se você está pensando em se tornar cristão,
eu lhe aviso que estará embarcando em algo que vai ocupar toda a sua pessoa,inclusive
o cérebro. Felizmente, existe uma
compensação.Aquele que se esforça honestamente para ser cristão logo
percebe que sua inteligência está aprimorada. Um dos motivos pelos quais não é necessário grande estudo para se
tornar cristão é que o cristianismo é em si mesmo uma educação. Foi por isso que um crente ignorante, como
Bunyan, foi capaz de escrever um livro que espantou o mundo inteiro".
[4] Citação:
Cristianismo Segundo a Bíblia – Ron Rhodes, Rio de Janeiro, 2007, pg. 15.
[5] Idem.
[8] Origem:
Wikipédia, a enciclopédia livre. 12 de fevereiro de 2013.
[9] O status
do cristianismo como religião monoteísta é confirmada, entre outras fontes, na
Catholic Encyclopedia; William F. Albright, From the Stone Age to Christianity.
[10] Religião
& Ética – 566, Christianity
(HTTP://www.bbc.co.uk/religion/religions/chritianity)
[11] O
termo "cristão" (em grego Χριστιανός, transl. Christianós) foi usado
pela primeira vez para se referir aos discípulos de Jesus na cidade de
Antioquia (Atos 11:26), por volta de 44 d.C., significando "seguidores de
Cristo". O primeiro registro do uso do termo "cristianismo" (em
grego Χριστιανισμός, Christianismós) foi feito por Inácio de Antioquia, por volta
do
ano 100. Ver Elwell/Comfort.
Tyndale Bible Dictionary, pp. 266, 828
[12] Cristianismo
Básico, John Stott, Viçosa/MG, Ultimato, 2007, pg. 28..
[13]
História do Cristianismo ao Alcance de Todos,
Bruce L. Shelley, São Paulo, 2004 – Shedd Publicações
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