segunda-feira, 18 de março de 2013

Aula 2


O que é o Cristianismo


Parte I

1.  Introdução
O presente trabalho não tem por objetivo esgotar conceitos do que é o cristianismo. Iremos apresentar uma série de informações que em muito enriquece nosso modo de ver e aprender o cristianismo.
Um definição muitíssimo interessante sobre o que é o cristianismo resumida em uma pequena frase foi dada por C.S. Lewis[1]: “O cristianismo é, em si mesmo uma educação”[2]. No seu sentido mais amplo, educação significa o meio em que os hábitos, costumes e valores são transferidos de uma geração para a geração seguinte. A educação vai se desenvolvendo através de situações presenciadas e experiências vividas por cada indivíduo ao longo da sua vida.
Isto nos leva a poder afirmar que, em seu conceito básico, o cristianismo é o relacionamento pessoal com Jesus.
“A essência do cristianismo não são as crenças nem os padrões de comportamento. É a realidade da comunhão, aqui e agora, com o Fundador vivo do cristianismo, Jesus Cristo, o Mediador”[3]
Isto porque ao longo dos séculos, muitos cristãos que se destacaram, reconheceram que o cristianismo, basicamente, envolve o relacionamento pessoal com Jesus.
·         Oswald Chambers (1874-1917), escritor devoto, declarou: “O cristianismo não é a devoção a uma obra, ou a uma causa, ou a uma doutrina, mas a uma pessoa, o Senhor Jesus Cristo”.[4]
·         O evangelista Billy Graham afirmou: “O cristianismo não é apenas ir a igreja aos domingos. É viver 24 horas por dia com Jesus Cristo”.[5]
·         Stephen Neill, estudioso bíblico, disse: “O cristianismo não é a aceitação de certas ideias. É uma atitude pessoal de crença e de devoção a uma pessoa.”[6]
·         John R. W Stott, teólogo, declarou: “Em essência, o cristão é alguém que tem um relacionamento pessoal com Jesus Cristo”.[7]
Por que enfatizar o aspecto relacional do cristianismo? Porque o relacionamento pessoal com Jesus é o centro e a alma do cristianismo. O cristianismo é essencialmente Cristo e está fundamentado na pessoa e na obra dEle. Se Cristo não foi quem afirmou ser, e não fez o disse que veio fazer, a fundação está comprometida e toda a estrutura irá desmoronar.
Sem Cristo, o cristianismo fica sem sentido, perde seu conteúdo. Cristo é o centro; tudo o mais gira em torno dEle. O cristianismo não pode restringir-se a uma filosofia de vida ou em princípios éticos. Antes e acima de tudo, preocupa-se com o relacionamento pessoal com Jesus.
Do ponto de vista das escrituras, conhecer Jesus é conhecer Deus(Jo 8:19). Ver Jesus é ver Deus (Jo 12:45). Crer em Jesus é crer em Deus (Jo 12:44). Receber Jesus é receber Deus (Mc 9:37). Honrar Jesus é honrar a Deus (Jo 5:23). Adorar Jesus é adorar Deus (Ap 4-5). O relacionamento com Jesus é o mais importante de tudo.
A Bíblia é predominantemente um livro sobre Jesus. O Mestre assegurou para alguns judeus: “Examinai as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam. E não quereis vinde a mim para tendes vida.” (Jo 5:39-40). Os judeus a quem Ele falou, conheciam a parte exterior, mas negligenciaram o conteúdo. Não é o livro que salva, mas sim o Salvador a respeito de quem o livro fala. Jesus afirmou que as Escrituras diziam a respeito dEle (Lc 24:27), “a meu respeito está escrito” (v.44; NVI;Hb10:7), e “são elas que de mim testificam” (Jo 5:39).
Antes de se prosseguir, pareceu-nos oportuno fazer algumas breves considerações sobre como o cristianismo é identificado a partir de uma ótica secular, comum e, em contraponto, passar rapidamente pela história através dos séculos, para que tenhamos uma pequena visão dos desafios já foram enfrentados e superados pelo que se estabeleceu chamar simplesmente de cristianismo.

2.  O significado comum de cristianismo.
Caso qualquer pessoa busque informações sobre o significado do que seria cristianismo, certamente encontraria a seguinte definição:
Cristianismo[8] (do grego Xριστός, "Christós", messias) é uma religião abraâmica monoteísta[9] centrada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, tais como são apresentados no Novo Testamento[10]. A fé cristã acredita essencialmente em Jesus como o Cristo, Filho de Deus, Salvador e Senhor. A religião cristã tem três vertentes principais: o Catolicismo, a Ortodoxia Oriental (separada do catolicismo em 1054 após o Grande Cisma do Oriente) e o protestantismo (que surgiu durante a Reforma Protestante do século XVI). O protestantismo é dividido em grupos menores chamados de denominações. Os cristãos acreditam que Jesus Cristo é o Filho de Deus que se  tornou homem e o Salvador da humanidade, morrendo pelos pecados do mundo. Geralmente, os cristãos se referem a Jesus como o Cristo ou o Messias.
Os seguidores do cristianismo, conhecidos como cristãos[11], acreditam que Jesus seja o Messias profetizado na Bíblia Hebraica (a parte das escrituras comum tanto ao cristianismo quanto ao judaísmo). A teologia cristã ortodoxa alega que Jesus teria sofrido, morrido e ressuscitado para abrir o caminho para o céu aos humanos; Os cristãos acreditam que Jesus teria ascendido aos céus, e a maior parte das denominações ensina que Jesus irá retornar para julgar todos os seres humanos, vivos e mortos, e conceder a imortalidade aos seus seguidores. Jesus também é considerado para os cristãos como modelo de uma vida virtuosa, e tanto como o revelador quanto a encarnação de Deus. Os cristãos chamam a mensagem de Jesus Cristo de Evangelho ("Boas Novas"), e por isto referem-se aos primeiros relatos de seu ministério como evangelhos.
O cristianismo se iniciou como uma seita judaica e, como tal, da mesma maneira que o próprio judaísmo ou o islamismo, é classificada como uma religião abraâmica. Após se originar no Mediterrâneo Oriental, rapidamente se expandiu em abrangência e influência, ao longo de poucas décadas; no século IV já havia se tornado a religião dominante no Império Romano. Durante a Idade Média a maior parte da Europa foi cristianizada, e os cristãos também seguiram sendo uma significante minoria religiosa no Oriente Médio, Norte da África e em partes da Índia. Depois da Era das Descobertas, através de trabalho missionário e da colonização, o cristianismo se espalhou para as Américas e pelo resto do mundo.
O cristianismo desempenhou um papel de destaque na formação da civilização ocidental pelo menos desde o século IV. No início do século XXI o cristianismo conta com entre 2,3 bilhões de fiéis, representando cerca de um quarto a um terço da população mundial, e é uma das maiores religiões do mundo. O cristianismo também é a religião de Estado de diversos países.”

2.1.        Denominações
As três divisões principais do cristianismo são o catolicismo, a ortodoxia e o protestantismo: Existem outros grupos cristãos que não se encaixam perfeitamente em uma destas categorias primárias. O Credo Niceno é "aceito como autorizado pela Igreja Católica Romana, Ortodoxa, Anglicana e as principais igrejas protestantes." Há uma diversidade de doutrinas e práticas entre os grupos que se autodenominam cristãos. Estes grupos são por vezes classificados sob denominações, embora por razões teológicas muitos grupos rejeitam este sistema de classificação. Outra distinção que às vezes é traçada é entre o cristianismo oriental e o cristianismo ocidental.

2.2.        Catolicismo
A Igreja Católica compreende as igrejas particulares, liderada por bispos, em comunhão com o Papa, o Bispo de Roma, como sua mais alta autoridade em matéria de moral, fé e governança da Igreja.

2.3.        Ortodoxia
A Ortodoxia Oriental compreende as igrejas em comunhão com a Sé Patriarcal do Oriente, como o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Como a Igreja Católica Romana, a Igreja Ortodoxa Oriental também tem sua herança à fundação do cristianismo através da sucessão apostólica e tem uma estrutura episcopal, embora a autonomia do indivíduo, principalmente nas igrejas nacionais, seja enfatizada. Uma série de conflitos com o cristianismo ocidental sobre questões de doutrina e autoridade culminou com o Grande Cisma. A Ortodoxia Oriental é a segunda maior denominação única no Cristianismo, com mais de 200 milhões de adeptos.

2.4.        Protestantismo
No século XVI, Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio e João Calvino inauguraram o que veio a ser chamado de protestantismo. Os herdeiros teológicos primários de Lutero são conhecidos como luteranos. Os herdeiros de Zwingli e Calvino são muito mais amplas denominalmente e são amplamente referidos como a Tradição Reformada. A maioria das tradições protestantes se ramificam a partir da Tradição Reformada, de alguma forma. Além dos ramos luteranos e reformados da Reforma, há o anglicanismo após a Reforma Inglesa. A tradição anabatista foi amplamente condenada ao ostracismo por parte dos outros protestantes na época, mas conseguiu uma medida de afirmação na história mais recente. Alguns, mas não a maioria dos batistas preferem não ser chamados de protestantes, alegando uma linha direta ancestral que remonta aos apóstolos, no século I.
Os mais antigos grupos protestantes se separaram da Igreja Católica no século XVI durante a Reforma Protestante, seguido em muitos casos, por novas divisões.
Embora em uma primeira leitura, a conclusão de que a abordagem, conforme estabelecida acima, poderia estar correta para definir o que é cristianismo, certamente esta não é a melhor resposta.
Há, no mínimo, algo absolutamente irrefutável no aparecimento e o desenvolvimento do cristianismo, mesmo quando narrado de forma sistemática como visto no texto acima, que o diferencia das demais religiões. O cristianismo tem como ponto central, a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo e cujo o ensino é centrado na sua própria pessoa. “O ensino centrado na própria pessoa imediatamente coloca Jesus à parte de outros grandes líderes religiosos do mundo. Aqueles geralmente procuravam desviar a atenção das pessoas para suas palavras, insistindo para que elas seguissem o que elas entendiam como sendo verdade. Jesus, porém, declarou que Ele era a verdade, portanto as pessoas deveriam segui-lo. Nenhum fundador de alguma religião étnica ousou fazer tal afirmação”[12].

3.    Uma breve abordagem histórica do cristianismo
3.1.        O Período de Jesus e dos Apóstolos (6 A.C. – 70 D.C.)
As raízes do cristianismo remontam à história judaica anterior ao nascimento de Jesus. Contudo, foi Jesus de Nazaré quem atacou o judaísmo instituído e gerou um movimento de renovação da história no século I.
Após sua crucificação, determinada por Pôncio Pilatos, oficial romano, os ensinamentos de Jesus espalharam-se pela região do Mediterrâneo.
O apóstolo Paulo teve grande influência nesse processo. Deu ênfase à salvação, dádiva de Deus para todos os homens, e alçou o cristianismo, emergente do judaísmo palestino, à condição de religião universal.

3.2.        O Período do Cristianismo Católico (70 – 312)
Nesse período, o cristianismo se espalhou por todo o Império Romano e, provavelmente, pela Índia Oriental. Os cristãos compreenderam que faziam parte de um movimento que se expandia rapidamente. E o chamaram de “católico”. Isso sugeria um movimento universal, apesar do escárnio pagão e da perseguição romana, e sugeria também a fé verdadeira em oposição a todas as perversões dos ensinamentos de Jesus. Para enfrentar os desafios da época, os cristãos recorriam cada vez mais aos bispos na liderança espiritual. O cristianismo católico, portanto, foi marcado por uma visão universal, por crenças ortodoxas e pela gestão episcopal da igreja.

3.3.        O Período do Império Romano Cristão (312 – 590)
O Imperador Constantino é uma das maiores figuras da história do cristianismo. Após sua conversão, o cristianismo passou do isolamento das catacumbas para o prestígio dos palácios. O movimento começou no século IV como uma minoria perseguida, e terminou o século como uma religião oficial do Império. Assim, a igreja cristã uniu-se ao poder do Estado e assumiu a responsabilidade moral por toda a sociedade. Para servir ao Estado, sua doutrina foi refinada e sua estrutura, desenvolvida. Os monges se levantaram para protestar contra a secularização da fé, mas quando os bárbaros estraçalharam a metade ocidental do Império, até mesmo os beneditinos alistaram-se como missionários junto aos pagãos.

Constantino representa o fim da era do cristianismo católico e o início do império cristão (312-590). Os mártires corajosos pertenciam ao passado. Começa assim a cristianização do Império e a interferência imperial nos assuntos da igreja. Podemos sentir as consequências desses dois acontecimentos até hoje.

3.4.        A idade Média Cristã (590-1517)
A Europa deve a fé cristã muito mais do que se pode imaginar, Quando os bárbaros destruíram o Império Romano do Ocidente, foi a igreja cristã que construiu uma nova ordem chamada Europa. A igreja assumiu a liderança ao governar pela lei, ao perseguir o conhecimento e a expressões da cultura. O conceito subjacente era cristandade, que uniu o Império e a igreja. Começo sob o domínio de Carlos Mágno, no século VIII, mas lentamente os papas foram assumindo o poder até que Inocêncio III (1198-1216) ensinou a Europa a pensar nos papas como governantes universais. Os séculos posteriores, todavia, viram os papas corrompidos pelo poder, e cada vez mais, militantes reformadores exigirem mudanças.

3.5.        A Era da Reforma (1517-1648)
O espírito da reforma irrompeu com surpreendente intensidade no século XVI, dando origem ao Protestantismo e arruinando a liderança papal da cristandade ocidental. Quatro são as tradições principais que marcaram o protestantismo nascente: luterana, reformadora, anabatista e anglicana. Após uma geração, a igreja de Roma, liderada pelos jesuítas, recobrou seu favor moral. Seguiram-se sangrentas batalhas entre católicos e protestantes e a Europa foi sacudida pela guerra antes que se tornasse obvio que a cristandade ocidental estava permanentemente dividida. Alguns pioneiros apontaram o caminho: o conceito denominacional de igreja.

3.6.        O Período da Reforma e do Reavivamento (1648 – 1789)
A era da Reforma foi marcada pelo debate entre cristãos sobre salvação. Já o que caracterizou a Idade da Razão foi a negação de qualquer religião sobrenatural. O respeito pela ciência e pela razão substituíram a fé cristã como pedra fundamental da cultura ocidental. Muitos protestantes enfrentaram essa crise de fé não com argumentos, mas com a experiência da conversão sobrenatural. A fé era mais uma experiência do que um dogma. Esse cristianismo evangélico espalhou-se rapidamente pelo poder da pregação. Muitos cristãos, então, perceberam que o apoio do Estado não era mais essencial à sobrevivência do cristianismo. E os cristãos modernos puderam aceitar a liberdade religiosa.

3.7.        A Era do Progresso (1789 – 1914)
A Revolução Francesa acenou com novas esperanças para as pessoas comuns, assim como a ciência apresentou novas questões ao cristão tradicional. O poder parecia estar ao alcance das massas. Para o cristianismo, isso significava o acréscimo de uma nova inquietação social ao desafio das dúvidas intelectuais. Como os cristãos deveriam encarar as necessidades das massas urbanas? Seria o homem um simples produto das forças de evolução? Os cristãos estavam seriamente divididos quanto à maneira de se encarar esse problemas. Sem o apoio tradicional do Estado, os protestantes voltaram-se para as sociedades voluntárias para atender ao pobre e ao oprimido, bem como para levar o evangelho para outas terras.

Os historiadores veem esse acontecimento fatídico como o nascimento de uma nova era: a era do progresso (1789 – 1914). A Batalha era um símbolo do velho regime: o governo absoluto dos monarcas e a tradicional sociedade feudal que consistia da Igreja Católica, da aristocracia rica e de plebeus sem poder. A multidão tumultuosa simbolizava a nova era, o século XIX, e os direitos do homem comum.
A base sólida da crença popular era a doutrina do progresso humano. Se o tumulto e o derramamento de sangue que se seguiram à queda da Bastilha levantaram dúvidas sobre as condições do caminho do progresso, poucos duvidaram de que a história avançava num movimento ascendente. A raça humana estava melhorando e sendo mais feliz. De qualquer forma, esse era o novo credo.
O cristianismo seguiu seu caminho em meio a esse tumultuado período, mas sob condições adversas. O século XIX foi atingido por diferentes correntes que se cruzavam, e por vezes os cristãos encontravam dificuldade para desvendar o caminho certo. Os protestantes sentiram o impacto, mas a Igreja Católica Romana, devido a sua longa associação com a antiga ordem, sentiu que muitos de seus tesouros do passado eram violentamente levados pelo vento dos tempos modernos.
O evangelho democrático da Revolução Francesa baseava-se no glorificação do homem em vez de se basear na glorificação de Deus. A Igreja de Roma reconhecia isto e se apavorou com a heresia, como sempre fizera. Ela viu com muita mais clareza do que várias igrejas protestantes que o diabo, quando lhe é conveniente, é democrático.
O fato de dez mil pessoas contarem uma mentira não transforma a mentira em verdade. Essa é uma importante lição dessa era para os cristãos de qualquer época. A liberdade de votar e a oportunidade de aprender não asseguram a instauração da utopia. A fé cristã sempre insistiu em que a brecha na natureza humana é algo muito mais fundamental do que qualquer falta nas instituições políticas ou sociais.

3.8.        A Era das Ideologias (1914 – 1996)
O século XX presenciou as batalhas de gigantes políticos e militares: comunismo, nazismo e americanismo. Um novo paganismo surgiu na defesa das leis econômicas, da paixão racial e dos direitos humanos. Os cristãos sofreram, pensaram e se uniram de novas maneiras. Os protestantes alcançavam uns aos outros em movimentos de união. Católicos romanos lutavam para atualizar sua igreja. E cristãos do terceiro mundo emergiam como o grande novo acontecimento da era.

Essa breve abordagem da história do cristianismo, aqui é lançada, para que dessas coisas não sejamos ignorantes, lembrando o apóstolo Paulo quando instruía seus irmãos em Cristo, portanto a nós também. Isto faz com que vejamos que inúmeras desafios já foram enfrentados e vencidos pelo que se estabeleceu chamar de cristianismo.
Ao narrar sobre o desenvolvimento da Igreja Cristã através dos tempos,  Bruce L. Shelley[13], destaca que depois de 2000 anos, o cristianismo é a fé, pelo menos nominalmente, de um terço da população mundial. Iniciada com um punhado de pescadores, coletores de impostos e alguns jovens numa obscura província da Judéia, essa fé se espalhou pelo planeta clamando pela lealdade de mais de um bilhão de pessoas.
Um dos aspectos mais marcantes do “cristianismo de hoje” é que poucos que se professam estudam seriamente a história de sua religião.  A “educação cristã”, em muitas denominações tem feito pouco para oferecer a seus membros um entendimento adulto da fé que elas professam. Será, então, motivo de surpresa ver um cristão de hoje cometer erros grosseiros sobre sua crença ou defender alguma prática pagã como conduta “cristã”?
É sempre oportuno lembrar que para se avançar na caminhada cristã, deve-se incluir um olhar determinado para a imagem de Deus, revelada em Jesus.  Nossa confiança reside em uma pessoa. Na pessoa de Jesus Cristo. Ele é um homem para todos os tempos. Em um tempo em que era visto por todos com alguém sem importância, uma relíquia de um passado rapidamente descartado, a história da igreja oferece um silencioso testemunho de que Jesus Cristo está presente e sua verdade permanecerá para sempre



Parte II

4.  O que é Cristianismo?
Como já vimos o cristianismo – em seu conceito mais básico – é o relacionamento pessoal com Jesus.
Ao enfatizar, como também já foi dito, que o Cristianismo é essencialmente Cristo e está fundamentado na sua pessoa e na obra dEle, estamos dizendo que não é somente preocupar-se em seguir sua filosofia ou seus princípios éticos. É o conviver e caminhar juntos.

4.1.        Jesus é o ponto central do Cristianismo
As principais doutrinas (ou ensinamentos) do cristianismo, até mesmo as doutrinas de Deus, do homem, da salvação, da igreja e da vida após a morte, estão diretamente vinculadas a Cristo. Cristo é a linha que liga todas essas doutrinas e, por conseguinte, amarra a Bíblia como um todo. Diante disso, podemos afirmar que: “a Bíblia é o testemunho do Pai para o Filho, por intermédio do Espírito Santo”.
Essencialmente, a Bíblia é um manual da salvação. Seu propósito, do começo ao fim, não é ensinar fatos da ciência que os homens podem descobrir por meio da investigação empírica, mas os fatos da salvação que nenhuma exploração do espaço pode descobrir, pois apenas a Bíblia pode revelá-los. Ela toda revela o esquema da salvação – a criação do homem à imagem e semelhança de Deus, sua queda por meio da desobediência, ficando ele imerso no pecado, sob julgamento, e  o contínuo amor de Deus por ele apesar de sua rebelião; o plano eterno de Deus para salvá-lo por meio de sua aliança da graça com o povo escolhido, algo que culminou em Cristo; a vinda de Cristo como Salvador, sua morte para carregar o pecado do homem, sua ressurreição dentre os mortos, sua exaltação ao céu e o envio do Espírito Santo; o resgate do homem, em primeiro lugar, da culpa e da alienação e, depois, da escravidão e, por fim, da mortalidade em sua experiência progressiva da liberdade dos filhos de Deus.
“Bíblia” e “evangelho” são termos quase alternativos, pois a maior função da Bíblia em toda a sua extensão e amplitude é dar testemunho acerca de Jesus Cristo.”

4.1.1.   A Natureza de Cristo
A pergunta “Quem é Cristo?” apresenta a melhor resposta na declaração e explicação dos nome e títulos pelos quais ele é conhecido. Assim temos: Cristo; Senhor; Filho do homem; Filho de Deus; A Palavra; Filho de Davi; Salvador.

Cristo
“Cristo” (christos) é a forma grega da palavra hebraica “Messias” (messiah)  que literalmente significa “o Ungido”. O evangelho escrito por João, mostra que os dois termos são iguais. Quando André diz a Pedro: “achamos o Messias”, João acrescenta esta nota: “(que traduzido, é o Cristo) (Jo 1:41). A palavra é sugerida pelo costume de ungir com óleo, o símbolo da consagração divina de servir.
Em Atos, Cristo possui a força de um título, 3:18. Paulo parece usá-lo neste sentido (Rm 6 e 9).
O costume da “unção” era hebraico, portanto, é possível que em razão da não compreensão imediata do significado, tenha-se usado o termo como um nome próprio pelos gentios cristãos de fala grega.
É muito interessante o fato de os seguidores de Jesus não serem chamados de “jesuítas”, mas cristãos, At 11:26, isto é, não pelo nome, mas pelo título;
“E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos”
O Novo testamento é claro em relação ao fato de que Jesus é o Messias prometido. Lembremos que os anjos identificam Jesus, ao anunciar seu nascimento aos pastores do campo, desta maneira: “Na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor (Lc 2:11)”. Depois Simeão, cheio do Espírito Santo, reconheceu o menino Jesus como Cristo, cumprindo-se, dessa forma, a promessa que Deus lhe fizera de que “não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor”.
Centenas de profecias messiânicas do Antigo Testamento apontam para um único Messias ou Cristo – Jesus Cristo. Por exemplo: Isaías predisse o nascimento virginal do Messias (Is. 7:14), a divindade e o reinado dEle (9:1-7), o seu reino de justiça (11:2-5), seu sofrimento e sua morte (52:13 – 53:12), dentre outras.
Sem dúvida outras pessoas reconheceram que Jesus era o Cristo ou o Messias profetizado. Pedro (Mt. 16:16), Marta (Jo:11:25-27), além de Maria, Isabel, magos, Herodes, João Batista, etc.
Jesus não reclamou a posição para si mesmo. Ele não tomou a iniciativa de impor-se como tal. Por que? Devido a percepção errada que se tinha sobre as características do Messias, o conceito judaico de messianidade, vide Mt 16:22. Jesus esperou que a revelação chegasse aos discípulos e eles mesmos confessassem, v. 16. A partir de então, Jesus aceita o título e redefine a messianidade nos termos de sofrimento e morte, v. 21.
Após sua prisão, Jesus ficou diante de Caifás, o sumo sacerdote, que exigiu: “Conjuro-te pelo Deus vivo que nos diga se tu és o Cristo, o Filho de Deus”. Jesus respondeu-lhe: “Tu o disseste” (Mt 26:63-64).
O sinal contraditado profetizado por Simeão manifesta-se no julgamento de Jesus diante do sumo sacerdote, em que o conceito judaico de messianidade contradizia o que se tornou “Messias crucificado”, pedra de trapeço para o devoto judeu, a confissão de fé de todo o cristão(1Co 1:23) e o assunto de toda a pregação cristã inicial (At. 3:18):
“Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seu profetas havia anunciado: que o Cristo havia de padecer.”


Senhor
Kurios, palavra ambígua, podendo ser usada como sinal de respeito ou como reconhecimento de autoridade,e conforme Jo 20:15; 20:28.
Senhor é um dos títulos mais comuns dado a Jesus. Esse título indica sua divindade, exaltação e sabedoria.
Para o gentio referia-se ao imperador ou rei, com nuanças religiosas (líderes divinos...); ao deus de um grupo ou aos deuses.
Opondo-se exatamente a tudo isto, usava-se kurios, com frequência, para se referir a Jesus (Mc 7:28), “Senhor e Deus”. Para o Judeu, porém, se revestia de autoridade divina, visto que a versão dos LXX (Septuaginta) o Yahweh era substituído por esse termo.
Para o judeu cristão, “Senhor” expressa a completa divindade de Cristo e sua igualdade com Deus; significa que qualquer uma das funções divinas pode ser atribuída a Ele (Hb 1:10). Em Atos, as orações eram dirigidas a Jesus como Senhor, At 7:59, único Senhor, 1Co 8:5-6.

Filho do homem
Título favorito escolhido pelo próprio Jesus. Doze vezes usado no evangelho de João. Setenta vezes citado nos sinópticos.
O título também é ambíguo por possuir dois sentidos distintos no Antigo Testamento:
·         Simplesmente homem, representativo da figura terrena (Sl 8:4; Ez 2:1);
·         Figura celestial, quase divina, Dn 7:13 (expectativa dos judeus).
Assim como não havia “Messias sofredor”, não deveria haver “o Filho do homem há de padecer” (Mt 17:12), para o judeu.
Jesus, ao referir-se a si mesmo como “Filho do homem” expressa a seguinte mensagem: “Eu, o Filho de Deus, sou homem, no que diz respeito à fragilidade, ao sofrimento e, até mesmo à morte. Todavia, ainda estou em contato com o céu, de onde vim, e mantenho um relacionamento tal com Deus que posso perdoar pecados (Mt 9:6); como também sou superior aos regulamentos religiosos que somente têm significado temporal e nacional (Mt 12:8). Essa natureza humana não cessará após eu passar pelos últimos períodos de sofrimento e morte, os quais devo suportar para a salvação do homem e para consumar a minha obra. Porque subirei e a levarei comigo ao céu, de onde voltarei para reinar sobre aqueles cuja natureza tomei sobre mim.
A humanidade do Filho de Deus era real, e não fictícia. Ele, conforme a descrição, realmente padeceu fome, sede, cansaço, dor e esteve sujeito, em geral, às fragilidades da natureza humana, porém sem pecado.
Pedro, (At 2:22); e Estevão, (At 7:56), apontam, pelo contexto, para o “Filho do homem” celestial e não o da representação humana

Filho de Deus
Da mesma forma que “Filho do homem” significa nascido de homem, assim também “Filho de Deus” significa nascido de Deus. Por isso, dizemos que esse título proclama a divindade de Cristo. Jesus nunca é chamado um Filho de Deus, como os homens e os anjos, chamados filhos de Deus (Jó 2.1). Ele é o Filho de Deus, em sentido único.
Em suas afirmações, Jesus equiparou-se à atividade divina: “Meus Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando” (Jo 5:17); “Eu vim do Pai” (Jo 16:28); “o Pai me enviou” (Jo 20:21); Ele afirmava ter comunhão e conhecimento divinos (Mt 11:27; Jo 17:25). Afirmava revelar a essência do Pai em si mesmo (Jo 14:9-11). Ele assumiu prerrogativas divinas: onipresença (Mt 18:20); poder de perdoar pecados (Mc 2:5-10); poder de ressuscitar os mortos (Jo 6:39-40, 54; 11:25; 10:17-18). Proclamou-se juiz e árbitro do destino do homem.
Essas veementes afirmações foram feitas por aquele que viveu como o mais humilde dos homens e foram proferidas de modo simples e natural. É imprescindível que para se chegar à conclusão de que Cristo era divino, em sua época, fazia-se necessário admitir-se somente duas coisas: a primeira que Ele não era um homem mau; a segunda que Ele não era demente. Se Ele dissesse que era divino, sabendo que não era, então não poderia ser bom; se Ele equivocadamente imaginasse que fosse Deus, então não poderia ser sábio. Contudo, nenhuma pessoa sensata sonharia em negar o caráter perfeito de Jesus ou sua sabedoria superior. Em consequência disso, é inegável concluir que ele era o que ele próprio disse ser – Filho de Deus, em sentido único.
Além disso, o título foi usado livremente nos evangelhos. Em Mateus e Lucas o título associa-se ao nascimento virginal (Mt 1:23; Lc 1:35). Em Marcos e João, enfatizam a origem celestial.
É a expressão favorita nos escritos de Paulo e está presente em sua pregação, conforme Rm 1:4 e At 9:20.
Portanto, ser Filho, significa ser Deus. A frase “Filho de Deus” afirma a divindade de Cristo.

A Palavra
Cristo é a Palavra ou o Verbo (Jo 1:1-14; 1Jo 1:1-2; Ap 19:13). Por meio da Palavra, do Verbo que se fez carne, Deus revelou sua atividade, sua vontade e propósito e, por meio dEle, também tem contato com o mundo. Expressamo-nos por meio da palavra; o eterno Deus se expressa a si mesmo por meio do seu Filho, o qual é “a expressão do seu ser” (Hb 1:3). Cristo é a Palavra de Deus, porque revela Deus e o demonstra em pessoa. Ele não somente traz a a mensagem de Deus – Ele é a mensagem de Deus.
É certo que Deus se revelou pela palavra profética, por meio de sonhos, de visões e de manifestações temporais. Contudo, o homem se angustiava e tinha esperança de obter  uma resposta mais clara à seguinte pergunta: como Deus é? Para responder a essa pergunta, surgiu o evento mais importante da História – “Aquele que é a Palavra se fez carne” (Jo 1:14). A Palavra eterna de Deus assumiu a natureza humana e tornou-se homem, a fim de revelar o eterno Deus por meio de uma personalidade humana. “Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho” (Hb 1:1-2). De modo que à pergunta “Como é Deus?”, o cristão responde: Deus é como Cristo, por que Cristo é a Palavra – a ideia que Deus tem de si mesmo. Isto é, Cristo é “a expressão exata do seu ser” (Hb 1:3), “a imagem do Deus invisível” (Cl 1:15).

Filho de Davi
Este título é equivalente a “Messias”, pois uma qualidade importante do Messias era sua descendência davídica.
No entanto, o título “Filho de Davi”, não era uma descrição completa do Messias, porque acentuava principalmente sua descendência humana. Por isso, o povo, ao ignorar as Escrituras que falavam da natureza divina de Cristo, esperava um Messias humano que seria segundo Davi. Em certa ocasião, Jesus procurou elevar os pensamentos dos chefes sobre esse conceito incompleto. “O que vocês pensam a respeito de Cristo? De quem ele é filho? Então responderam tais chefes: É filho de Davi? (Mt 22:42-46). Depois Jesus citando o Salmo 110, perguntou: “O próprio Davi o chama ‘Senhor’. Como pode, então, ser ele seu filho?” (Mc 12:37). Como pode o Senhor de Davi ser filho de Davi? – foi a pergunta que confundiu os fariseus. A resposta naturalmente é esta: o Messias é tanto Senhor quanto filho de Davi. Pelo milagre do nascimento virginal, Jesus nasceu de Deus e também de Maria. Portanto Ele era Filho de Deus e Filho do homem. Como Filo de Deus Ele é Senhor de Davi; como filho de Maria, Ele é filho de Davi.

Salvador
O próprio nome de Jesus já continha essa ideia. “Mas quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei, a fim de redimir os que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4:4-5). Ao entrar no mundo, deu-se o expressivo nome que descrevia sua missão suprema: “Você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1:21).
Os primeiros pregadores do evangelho não precisavam explicar ao judeus o significado do nome “Salvador”; eles já tinham aprendido  a lição por sua própria história (At 3:26; 13:23). Os judeus entenderam que a mensagem do evangelho significava que, assim como Deus enviara Moisés para libertar Israel da escravidão do Egito, da mesma forma ele tinha enviado Jesus para resgatar o povo de seus pecados. Eles entenderam a mensagem, mas recusaram-se a crer.
Crucificado, Cristo cumpriu a missão indicada pelo seu nome, Jesus, pois salvar o povo de seus pecados implica expiação, e expiação implica morte. Como em sua morte, assim também durante sua vida ele viveu à altura de seu nome. Foi sempre o Salvador.

4.2.        O Cristianismo é uma religião de resgate
O Cristianismo é uma religião de resgate. Ele declara que Deus tomou a iniciativa, através de Jesus Cristo, de libertar-nos dos nosso pecados. Este é o tema central da Bíblia.
E lhe porá o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. (Mt 1:21)
Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido. (Lc 19:10)
Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores. (1Tm 1:15)
E nós temos visto e testemunhado que o Pai enviou o seu Filho com Salvador do mundo. (1Jo 4:14)
Mais especificamente, uma vez que o pecado acarreta três consequências principais, a “salvação” inclui a libertação de todas elas.
Sem  Cristo estávamos afastados de Deus; éramos escravos do pecado; e não tínhamos comunhão uns para com os outros.
Através de Cristo, podemos nascer de novo, receber uma nova natureza, nos libertarmos de nossa escravidão moral; e podemos ter as velhas desavenças substituídas por uma comunhão de amor.
O primeiro aspecto da salvação – a reconciliação com Deus – Cristo tornou possível por meio de seu sofrimento e morte; o segundo aspecto – a libertação do pecado – por meio de seu Espírito; e o terceiro – restauração de relacionamentos – por meio da edificação de sua igreja.

4.3.        O Novo Nascimento
A natureza humana pode ser mudada? Como uma pessoa amarga pode se transformar numa pessoa agradável, a orgulhosa se tornar humilda, e a egoísta abnegada? A Bíblia afirma enfaticamente que esses milagres podem acontecer.  Isso é parte da glória do evangelho. Jesus Cristo pode mudar não somente a nossa condição diante de Deus, mas também a nossa natureza. Ele disse a Nicodemos que era imprescindível nascer de novo, e suas palavras também se aplicam a nós: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus... Não te admires de eu te dizer: Importa-vos nascer de novo”. (Jo 3)
A afirmação do apóstolo Paulo é ainda mais dramática: “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. (2Co 5:17) Esta é a possibilidade a que o Novo Testamento se refere: um novo coração, uma nova natureza, um novo nascimento, uma nova criatura.
Esta tremenda mudança interior é obra do Espírito Santo. O novo nascimento é um nascimento “do alto”. Nascer de novo é “nascer do Espírito”. Não cabe aqui uma discussão sobre o ministério da Trindade. Para nosso estudo, porém é importante salientar que o Espírito Santo não surgiu, nem começou a agir no Pentecostes. Ele é Deus, portanto, é eterno e está atuando no mundo desde o principio.
Aquilo que os profetas do Antigo Testamento anunciavam e aguardavam ansiosamente, que Deus colocasse seu Espírito dentro de seu povo, Cristo prometeu como uma expectativa imediata. Poucas horas antes de morrer, a sós com seus apóstolos, no cenáculo, Ele falou do “Consolador”, o “Espírito da verdade” que viria e assumiria o seu lugar.
Isto é o que nos ensina a Bíblia. Que quando confiamos em Jesus Cristo e assumimos um compromisso com Ele, o Espírito Santo vem habitar em nós. Ele é enviado por Deus “aos nosso corações”. Ele faz do nosso corpo o seu templo.
Isso não quer dizer que estaremos isento da possibilidade de pecar. Ao contrário, de certa forma, o conflito é mais intenso, mas por outro lado, ele nos ajuda a obter a vitória.
É pelo Espírito de Cristo que podemos ser transformados à imagem de Cristo, enquanto olhamos fixamente para Ele.
Temos que fazer a nossa parte – isso inclui arrependimento, fé e disciplina – mas essencialmente, a santificação é obra do Espírito Santo.
Foi através da morte redentora que a punição pelos nossos pecados pôde ser perdoada. Através do seu Espírito, que habita em nós, o pecado deixou de exercer seu poder sobre nós.

4.4.        A Igreja de Cristo
O pecado nos separa, não somente de nosso Criador, mas também de nossos semelhantes, nossos companheiros. Sabemos por experiência própria como uma comunidade, seja ela qual for: uma faculdade, um hospital, uma empresa, ou um escritório, pode se tornar um antro de inveja e animosidade. É notória a dificuldade de vivermos em comunhão.
Mas o plano de Deus é reconciliar-nos uns com os outros e com Ele.
Em Cristo o povo de Deus não seria mais uma nação separada, mas uma comunidade de pessoas oriundas de todas as raças, línguas e nações. “Ide”, O Senhor ressurreto ordenou aos seu seguidores. “fazei discípulos de todas as nações...”. à soma total desses discípulos ele chamou “minha igreja”. (Mt 28:19; 16:18)
Uma das imagens mais impressionantes usadas pelo apóstolo Paulo para expressar a unidade dos que creem em Cristo é o corpo humano. A Igreja, ele diz, é o corpo de Cristo. Cada cristão é um membro ou órgão do corpo, e Cristo é a cabeça, controlando as atividades do corpo. Nem todos os órgãos têm a mesma função, mas todos são necessários para que o corpo seja plenamente saudável e útil.
O corpo como um todo é também animado por uma vida comum que é o Espírito Santo. É a sua presença que dá unidade ao corpo. É ele que dá consistência à unidade da igreja. “Há somente um corpo e um Espírito”, enfatiza Paulo. Mesmo as divisões externas e denominacionais, embora lamentáveis, não podem destruir sua unidade espiritual interior. Essa unidade é indissolúvel, pois é a “unidade do Espírito” ou “comunhão do Espírito”. (Ef 4:3-4; Fl 2:1; 2Co 13:13) Quando partilhamos dessa comunhão, desfrutamos de uma profunda e permanente união.
Não faz o menor sentido declarar que fazemos parte de um corpo maior, a igreja universal, se na prática não participamos de uma de suas manifestações locais. É na igreja local que temos oportunidade de adorar a Deus, desfrutar da comunhão com os irmãos e servir à comunidade de modo mais amplo.
Precisamos ter em vista, também, que nem todos os membros da igreja visível fazem parte da verdadeira igreja de Jesus Cristo. Alguns cujos nomes estão inscritos no rol de membros da igreja, nunca terão os seus nomes “arrolados nos céus”. A Bíblia faz referência a este fato. No entanto, não nos cabe julgar, pois o “Senhor conhece os que lhe pertencem”. Somente Deus pode ver os corações.
Certamente a história da igreja relata muitos casos manchados pela estupidez e pelo egoísmo, ou até mesmo por desobediência aberta aos ensinamentos de Cristo. No entanto, o local do cristão é na igreja local, por mais imperfeita que possa ser. É ali que ele deve buscar a nova qualidade de relacionamento que Cristo dá a seu povo, e partilhar da comunhão na adoração e testemunho da igreja.

5.     Conclusão
Neste estudo, tivemos a oportunidade de observar que o cristianismo básico consiste em um relacionamento íntimo com Cristo, fundador vivo do cristianismo.
Vimos também que a percepção comum do que seja cristianismo, está muito distante do que realmente isto pode significar. Mesmo ao lançar mão de uma perspectiva histórica de sua trajetória, não encontramos o sentido real que faz com que bilhões de pessoas se autodenominem seguidoras de Cristo.
O Cristianismo é Deus agindo. Deus falou e agiu por meio de Jesus Cristo. Ele disse algo. Ele fez algo. Isto significa que o cristianismo não se resume em palavras piedosas; também não se trata de conceitos religiosos ou um conjunto de regras. Cristianismo é “evangelho”, isto é, boas novas. Nas palavras o apóstolo Paulo, “o evangelho de Deus... com respeito a seu Filho... Jesus Cristo, nosso Senhor”. (Rm 1:1-4) Não se trata de um convite para o homem fazer alguma coisa; acima de tudo, é uma declaração do que Deus fez por nós em Cristo.



Bibliografia:
História do Cristianismo ao Alcance de Todos, Bruce L. Shelley, São Paulo, Shedd Publicações, 2004;
Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Meyr Pearlman, São Paulo, Editora Vida, 3ª Ed., 2009;
Cristianismo Básico, John R. W. Stott, Viçosa/MG, Tltimato, 1ª Ed., 2007;
Cristianismo Segundo a Bíblia, Ron Rhodes, Rio de Janeiro, CPAD, 1ª Ed., 2007;
Cristianismo Autêntico (Textos Selecionados da Obra de John Stott), Timothy Dudley – Smith, São Paulo, Editora Vida, 2001;
Cristologia – Estudo da Pessoa e da Obra de Cristo, Joubert de Oliveira Sobrinho, – Curso de Formação de Líderes – ICF, 2012;
Bíblia de Estudos Pentecostal, João Ferreira de Almeida, Revista e Corrigida, CPAD, Edição de 1995;
Wikipédia, a enciclopédia livre, www.google.com.br, atualização 12 de fevereiro de  2013;
Citações:



[1] Cristianismo Puro e Simples – Clive Staples Lewis, Martins Fontes, São Paulo, 2005
[2] "PRUDÊNCIA – A prudência significa a sabedoria prática, parar para pensar nos nossos atos e em suas consequências. Nos dias de hoje, a maioria das pessoas já não considera a Prudência uma "virtude". Inclusive, como Cristo disse que só entrariam em seu Reino os que fossem como crianças, muitos cristãos pensam que podem ser tolos, desde que sejam "bonzinhos". É um erro. Em primeiro lugar, muitas crianças demonstram ter bastante "pru­dência" quando fazem coisas que são do seu interesse, e conseguem pensar a respeito dessas coisas com bas­tante sensatez. Em segundo lugar, como esclarece São Paulo, Cristo nunca quis que fôssemos como crianças na inteligência - muito pelo contrário. Ele nos exortou a ser não apenas "simples como as pombas", mas tam­bém "prudentes como as serpentes". Quer de nós um coração de criança, mas uma cabeça de adulto. Quer-nos simples, centrados, afetuosos e dóceis no aprendizado, como as boas crianças são; mas também quer que cada fração da inteligência que possuímos esteja alerta e afia­da para a batalha. O fato de você dar dinheiro para uma obra de caridade não quer dizer que não deva tentar sa­ber se a instituição de caridade é fraudulenta ou não. O fato de você pensar em Deus (por exemplo, quando ora) não significa que deva contentar-se com as cren­ças infantis que alimentava aos cinco anos de idade. É verdade que Deus não deixará de amar ninguém, nem deixará de utilizar uma pessoa como seu instrumento por ter nascido com um cérebro de segunda classe. Ele tem um coração grande o suficiente para abrigar pes­soas de pouco senso, mas quer que cada um de nós use o senso que lhe coube. Não devemos ter como lema "Seja boa, doce menina, e deixe a inteligência para quem a possui", mas sim "Seja boa, doce menina, e não se es­queça de ser o mais inteligente que puder". Deus não detesta menos os intelectualmente preguiçosos do que qualquer outro tipo de preguiçoso.Se você está pen­sando em se tornar cristão, eu lhe aviso que estará em­barcando em algo que vai ocupar toda a sua pessoa,inclu­sive o cérebro. Felizmente, existe uma compensação.Aquele que se esforça honestamente para ser cristão logo percebe que sua inteligência está aprimorada. Um dos motivos pelos quais não é necessário grande estudo para se tornar cristão é que o cristianismo é em si mesmo uma educação. Foi por isso que um crente ignorante, como Bunyan, foi capaz de escrever um livro que es­pantou o mundo inteiro".
[3] J. I. Parker, in  Cristianismo Segundo a Bíblia – Ron Rhodes, Rio de Janeiro, 2007, pg. 15.
[4] Citação: Cristianismo Segundo a Bíblia – Ron Rhodes, Rio de Janeiro, 2007, pg. 15.
[5] Idem.
[6] Idem.
[7] Idem.
[8] Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. 12 de fevereiro de  2013.
[9] O status do cristianismo como religião monoteísta é confirmada, entre outras fontes, na Catholic Encyclopedia; William F. Albright, From the Stone Age to Christianity.
[10] Religião & Ética – 566, Christianity (HTTP://www.bbc.co.uk/religion/religions/chritianity)
[11] O termo "cristão" (em grego Χριστιανός, transl. Christianós) foi usado pela primeira vez para se referir aos discípulos de Jesus na cidade de Antioquia (Atos 11:26), por volta de 44 d.C., significando "seguidores de Cristo". O primeiro registro do uso do termo "cristianismo" (em grego Χριστιανισμός, Christianismós) foi feito por Inácio de Antioquia, por volta do
ano 100. Ver Elwell/Comfort. Tyndale Bible Dictionary, pp. 266, 828
[12] Cristianismo Básico, John Stott, Viçosa/MG, Ultimato, 2007, pg. 28..
[13] História do Cristianismo ao Alcance de Todos, Bruce L. Shelley, São Paulo, 2004 – Shedd Publicações

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