segunda-feira, 20 de maio de 2013

Cancelamento da aula do dia 21/05

A aula sobre "Panorama Bíblico" que seria ministrada dia 21 de maio não será realizada nesta data, estamos postergando esta aula. Sendo assim, nossa próxima aula deverá acontecer no dia 04 de junho, Ciência e Fé, ministrada pelo Eduardo Santos.

Qualquer dúvida encaminhe um e-mail para: cursofundamento@gmail.com

Deus abençoe

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Aula 7



Autoridade Espiritual



Washington A. Ferreira
 “Pregamos o  evangelho a fim de colocarmos os homens sob autoridade de Deus, mas como podemos estabelecer a autoridade de Deus na terra se nós mesmos ainda não a conhecemos?[1]


A auto-revelação divina e a autoridade bíblica

Há um senso comum de autoridade, diante do qual o nível hierárquico de um indivíduo ou instituição, determina o exercício de seu poder. No decorrer deste estudo tentaremos alargar um pouco mais este conceito, a partir da constatação de que não há autoridade que não proceda de Deus.
Não nos parece razoável, iniciarmos com a afirmação de que Deus é a fonte de toda autoridade, sem reconhecer que fundamentalmente, cremos naquilo que cremos, não porque seres humanos o inventaram, mas porque o próprio Deus o revelou. Como consequência, existe uma autoridade nesta revelação que nunca poderá ser destruída.
Se reconhecemos que a mente humana é tanto finita quanto decaída, bem como jamais compreende nem crê sem a obra graciosa do Espírito Santo, como conhecer a autoridade de Deus?
– A Bíblia é a auto-revelação de Deus, a autobiografia divina.
Na Bíblia, o assunto e o objeto são idênticos, pois nela Deus fala a respeito de Deus. Ele torna seu ser conhecido em sua rica diversidade,  como o Criador do Universo e tudo o que nele há.
Na Bíblia, Deus nos dá revelações de si mesmo, as quais nos levam à adoração; promessas de salvação, que estimulam nossa fé; e mandamentos que expressam seu desejo, os quais demandam nossa obediência. Este é o significado do discipulado cristão dos quais destacados três ingredientes essenciais, quais sejam: a adoração, a fé e a obediência. Os três são inspirados pela Palavra de Deus.
A Palavra de Deus foi designada para nos tornar cristãos, e não cientistas, e para nos levar à vida eterna por meio da fé em Jesus Cristo. Deus não revelou sua verdade com o intuito de nos deixar livres para escolher acreditar nela ou não, para obedecer ou não a essa verdade. A revelação carrega consigo a responsabilidade; e quanto mais clara a revelação, maior a responsabilidade; para crer nela e obedecer.
Vivemos em uma época de muito subjetivismo, na qual o existencialismo tenta forçar uma interpretação  “relativa” do que é verdadeiro ou falso. Utiliza-se de critérios puramente subjetivos por meio dos quais avalia o que é “autêntico” e, mais precisamente, o que se parece autêntico dentro de uma interpretação pessoal.
Mas para nós cristãos, impõe-se admitir que Deus falou histórica e objetivamente; sua Palavra culminou em Cristo e no testemunho apostólico sobre ele; e as Escrituras são exatamente a Palavra de Deus escrita para nosso aprendizado. Nossas   tradições, nossa opiniões e nossas experiências, todas elas devem, portanto, submeter-se ao independente e objetivo teste da verdade bíblica.
A compreensão bíblica da Palavra de Deus não se reduz apenas ao entendimento de que ele a profere, mas que ele age por meio dela. Suas palavras não são meras falas; também são ações. Isso fica claro na Criação, que foi afetada pelas palavras de ordem dadas por Deus: “...disse Deus... E assim foi...”; “Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo surgiu” (Gn 1:6-7; Sl 33:9).
Não pode haver dúvidas ao se afirmar onde reside a suprema autoridade, pois Deus a entregou ao Senhor Jesus, ressurreto e exaltado. Jesus disse: “Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra” (Mt. 28:18). É nossa convicção de que Cristo exerce sua autoridade por meio de seu Espírito, mediante sua Palavra.
A primeira e mais importante razão porque devemos acreditar na inspiração divina e na autoridade das Escrituras não é o que as igrejas ensinam, ou os autores afirmam, ou ainda o que os leitores sentem, mas aquilo que Jesus mesmo disse. Cristo endossou a autoridade das Escrituras, e por conseguinte,  sua autoridade e a autoridade das Escrituras ou se sustentam juntas ou caem juntas[2].
Toda a evidência disponível confirma que Jesus Cristo consentiu em sua mente e submeteu-se em sua vida à autoridade do Antigo Testamento. Não é minimente aceitável que tenhamos, enquanto seus seguidores, uma visão inferior à que ele tinha das Escrituras.
Sabemos que: “o discípulo não está acima de seu mestre. É inconcebível que um cristão que olhe para Jesus como seu Mestre e Senhor tenha uma visão menor que a dele sobre o AT.  Que sentido faz chamar Jesus de “Mestre” e “Senhor” para depois discordar dele? Não temos liberdade para discordar dele. Sua visão das Escrituras deve tornar-se a nossa visão.”[3]
Inspiração é a palavra tradicionalmente usada para descrever a atividade de Deus ligada à composição da Bíblia. Na verdade a inspiração divina da Bíblia é o fundamento de sua autoridade divina. Dizer que “a Bíblia é a Palavra de Deus é verdade”. Mas não podemos deixar de considerar que ela traz, também, orientações e testemunhos daqueles que vivenciaram e/ou narraram situações e acontecimentos, cujo relato nos permite entende-la racionalmente. A Lei, por exemplo, é definida por Lucas como “Lei de Moisés” e como “Lei do Senhor” e isso acontece em versículos consecutivos (Lc 2:22-23). De modo similar, em Hebreus, afirma-se que “Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas...”, e em 2 Pedro que “...os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” portanto Deus falou e o homem falou. Essas duas afirmações são verdadeiras e nenhuma contradiz a outra, encontrando reforço em 2 Timóteo 3:16, a saber: “Toda a Escritura é inspirada por Deus...” (NVI).
“Autoridade” é o poder ou peso que as Escrituras possuem graças ao que ela é, a saber, a revelação divina dada por inspiração divina. Se ela é a Palavra de Deus, traz consigo a autoridade de Deus. Pois, por trás de cada palavra que uma pessoa fala, está a pessoa que a profere. É o próprio interlocutor (seu caráter, conhecimento e posição) que determina como as pessoas encaram suas palavras. Portanto, a Palavra de Deus traz consigo a autoridade de Deus. É pelo que Deus é que devemos acreditar no que Ele diz.
Submissão às Escrituras representa nossa submissão a Cristo. Não há como separar Nosso Senhor Jesus Cristo e a Bíblia. Jesus disse: “Examineis as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.” (Jo 5:39). Este testemunho recíproco entre a Palavra viva e a Palavra escrita é a chave para a compreensão cristã da Bíblia.
Podemos portanto afirmar que a submissão às Escrituras é para nós o sinal de nossa submissão a Cristo. O testemunho que Jesus nos apresenta a respeito das Escrituras certifica-nos de sua autoridade.
Assim, falarmos de autoridade espiritual, implica, necessariamente, reconhecermos sua revelação e nos submetermos à autoridade daquele que intercede por nós junto ao Pai, para que sejamos perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que Deus enviou seu Filho amado por amor de nós.[4]

O trono de Deus estabelecido sobre a autoridade
O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas. (Hb 1:3)
Deus age a partir do seu trono, e o seu trono está estabelecido sobre a sua autoridade. Todas as coisas são criadas pela autoridade de Deus e todas as leis físicas do universo são mantidas através de sua autoridade. Por isso a Bíblia nos revela que Deus, por Cristo, resplendor da sua glória e expressa imagem de sua pessoa,  “sustenta todas as coisas pela palavra de seu poder”, o que significa que todas as coisas são mantidas pela palavra do poder de sua autoridade. Pois a autoridade divina representa o próprio Deus enquanto o poder se expressa apenas pelos seus atos. Só Deus é autoridade em todas as coisas; toda autoridade da terra foi instituída por Deus. (Rm 13:1-7) A autoridade é algo tremendo no Universo – nada a supera. Portanto é imperativo que nós que desejamos servir a Deus conheçamos a autoridade de Deus.

Princípios de Satanás
Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!
E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte.
Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. (Is 14:12-14)
O arcanjo transformou-se em Satanás quando tentou usurpar a autoridade de Deus competir com Deus, e assim se tornou adversário de Deus. Foi a rebeldia que provocou a queda de Satanás. Isto é narrado tanto em Isaías 14:12-15, como Ezequiel 28:13-17.
A intenção de Satanás de estabelecer seu trono acima do trono de Deus violou a autoridade de Deus, tendo por princípio a auto-exaltação e isto determinou sua condenação. Quando servimos a Deus e não nos submetemos às autoridades, estamos, em última análise, agindo de acordo com este princípio de rebeldia, o qual é incompatível com a vontade de Deus.
A vontade de Deus é absoluta
Durante os seus dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em alta voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, sendo ouvido por causa da sua reverente submissão, embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu; e, uma vez aperfeiçoado, tornou-se a fonte de eterna salvação para todos os que lhe obedecem. (Hb 5:7-9)
Vemos na oração de Nosso Senhor no Getsêmani, o expressão plena de sua obediência à vontade de Deus. Nosso Senhor considerava o obedecer à autoridade de Deus mais importante do que sacrificar-se sobre a cruz. Ele ora sinceramente para atender a efetiva vontade de Deus. Ele não diz: “Eu quero ser crucificado, eu tenho que beber esse cálice”. Na realidade diz: "Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua" (Lc 22:42)
Consequentemente a morte do Senhor é a mais alta expressão da obediência à autoridade.
Na qualidade de servos de Deus, a primeira coisa que temos de fazer é travar relações com a autoridade. Antes de podermos trabalhar para Deus temos de ser conquistados por sua autoridade. Todo o nosso relacionamento com Deus é regulado pelo fato de termos ou não travado relações com a autoridade. Em caso afirmativo encontraremos a autoridade em todos os lugares, e sendo assim governados por Deus, podemos começar a ser usados por Ele.
A queda de Adão e Eva
Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: "Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’?"
Respondeu a mulher à serpente: "Podemos comer do fruto das árvores do jardim,
mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’ ".
Disse a serpente à mulher: "Certamente não morrerão!
Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal".
Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também. (Gn 3:1-6)

Porque, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores (Rm 5:19)
Depois que Deus criou Adão, encarregou-o de algumas coisas: entre estas estava a ordem de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. O ponto crucial dessa determinação foi mais do que a proibição de comer certo fruto; antes, significava que Deus estava colocando Adão sob autoridade para que aprendesse obedecer. De um lado, Deus colocou todas as coisa criadas na terra sob autoridade de Adão para que ele as dominasse; mas por outro lado, Deus colocou o próprio Adão debaixo de autoridade para que ele pudesse obedecer à autoridade. Só aquele que está sob autoridade pode constituir uma autoridade.
De acordo com a ordem da criação divina. Deus criou Adão antes de criar Eva. Colocou Adão em posição de autoridade e Eva sob a autoridade de Adão.
A queda do homem deve-se à desobediência à autoridade de Deus. Toda atitude que implica desobediência constitui uma queda, e qualquer atitude de desobediência é rebeldia.
Os cristãos devem obedecer à autoridade
Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. (Rm 13-1)
Não existe autoridade que não proceda de Deus; todas as autoridades foram instituídas por ele. Quando procuramos encontrar a fonte de toda autoridade encontramo-la invariavelmente em Deus. Deus está acima de toda autoridade, e todas as autoridades estão debaixo dele. Ele mantém todas as coisas pela poderosa palavra de sua autoridade, exatamente como as criou pela mesma palavra.
Já vimos muitas formas de tentar explicar o que o apóstolo Paulo ensinou quanto à obediência das autoridades constituídas, mas ele é claro em sua orientação, não cabendo ai qualquer variável.
Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas.
Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos.
Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá.
Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal.
Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência.
É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho.
Deem a cada um o que lhe é devido: Se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra. (Rm 13:1-7)
Cabe considerar que a submissão é um a questão de atitude, sendo pois absoluta, já a obediência é uma questão de conduta. Isto se reflete na conduta de Pedro e João, quando responderam ao concílio religioso dos judeus: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos a vós outros do que Deus” (Atos 4:19). Seu espírito não foi de rebeldia, uma vez que ainda se submetiam àqueles que estavam em posição de autoridade. A obediência, entretanto, não pode ser absoluta. Há de se ter claro, que mesmo em submissão às autoridades constituídas, a obediência a elas, não pode contrariar aquilo que decorre da autoridade revelada por Deus em sua Palavra, tais como: crer no Senhor, pregar o evangelho e assim por diante.
Os filhos podem fazer sugestões a seus pais, mas não devem demonstrar uma atitude de insubordinação. A submissão é absoluta. Às vezes a obediência é submissão, enquanto que noutras ocasiões, uma incapacidade de obedecer ainda pode ser submissão. Mesmo quando fazemos uma sugestão, devemos manter uma atitude de submissão.
Reiteramos, pois, no entanto, que se uma autoridade constituída emitir uma ordem claramente em contradição com a ordem de Deus, deverá receber submissão mas não obediência. Podemos entender melhor tal situação a partir de alguns exemplos bíblicos:
1.    As parteiras e a mãe de Moisés, todas desobedeceram ao decreto de Faraó preservando a vida de Moisés. Mas foram consideradas mulheres de fé.
2.    Os três amigos de Daniel recusaram-se a adorar a imagem de ouro erigida pelo rei Nabucodonosor. Desobedeceram à ordem do rei, mas submeteram-se ao fogo do rei.
3.    Ignorando o decreto real, Daniel orou a Deus; não obstante submeteu-se ao julgamento do rei sendo lançado na cova dos leões. Neste caso o próprio rei se submeteu ao decreto que editara conforme a lei dos medos e dos persas, o qual não podia ser revogado, ficando o rei em grande aflição pelo amigo.
4.    José fugiu com o Senhor Jesus para o Egito para evitar que a criança fosse morta pelo rei Herodes.
5.    Pedro pregou o evangelho embora fosse contra a ordem do concílio governante, pois declarou que importava antes obedecer a Deus do que aos homens. Mas submeteu-se quando foi levado à prisão.


Homem sujeito à autoridade[5]

A narração bíblica de Mateus capítulo 8, versos de 5 a 13, ilustram muito bem os princípios de autoridade e do reconhecimento de como ela deve ser exercida, motivo pelo qual usaremos essa ilustração para melhor entendermos sua aplicação.
Entrando Jesus em Cafarnaum, dirigiu-se a ele um centurião, pedindo-lhe ajuda. E disse: "Senhor, meu servo está em casa, paralítico, em terrível sofrimento".
Jesus lhe disse: "Eu irei curá-lo".
Respondeu o centurião: "Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado.
Pois eu também sou homem sujeito à autoridade, com soldados sob o meu comando. Digo a um: ‘Vá’, e ele vai; e a outro: ‘Venha’, e ele vem. Digo a meu servo: ‘Faça isto’, e ele faz".
Ao ouvir isso, Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam: "Digo-lhes a verdade: Não encontrei em Israel ninguém com tamanha fé.
Eu lhes digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos céus.
Mas os súditos do Reino serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes".
Então Jesus disse ao centurião: "Vá! Como você creu, assim lhe acontecerá! " Na mesma hora o seu servo foi curado. Mateus 8:5-13
O registro bíblico se passa na cidade de Cafarnaum, do  hebraico: Kephar Nachûm, que significa "aldeia" ou "vila de Naum". Esta cidade ficava na margem norte do Mar da Galileia, terra natal do apostolo Pedro. Também eram de lá outros pescadores que se tornaram apóstolos: André (irmão de Pedro) e os irmãos Tiago e João. Mateus também era de Cafarnaum, mas não era pescador e sim fiscal de impostos. Deixou a profissão de lado para seguir o Messias.
Mateus nos conta o encontro de Jesus com o centurião comandante do destacamento romano que estava em Cafarnaum, o qual o havia procurado pois, tinha um servo muito enfermo, paralítico e em “terrível sofrimento”, dando a entender que além da paralisia, sofria em dores.
Um centurião era o oficial responsável por comandar uma centúria, dando ordens que deveriam ser prontamente obedecidas pelos homens que liderava, inclusive na rápida execução de uma formação militar e, encarregava-se da disciplina e instrução da legião. Devido ao fato de que na maioria das vezes as legiões estarem distantes do comando central, os centuriões eram escolhidos pelas suas capacidades de comando e pela prontidão em lutarem até à morte.
Esse homem de guerra, demonstra claramente ser cuidadoso com seu servo, ao ponto de que, assim que soube que Jesus de Nazaré chegara à cidade, onde já realizara milagres, empenhou-se em chegar-se até Ele e rogou-lhe pelo seu escravo. Destaque-se que o centurião não pediu que Jesus fosse até a sua casa para realizar a cura, mas o Salvador respondeu imediatamente: "Eu irei curá-lo". Isso foi mais do que o centurião pedira; implorara em favor da cura de seu escravo, mas não estava esperando a presença pessoal de Jesus.
(Importante lembrar que em outra ocasião, certo oficial do rei foi até Jesus e suplicou-lhe: “Senhor, vem, antes que o meu filho morra.” (Jo 4:49) Jesus não foi visitar o filho do oficial, mas enviou sua palavra poderosa, e o curou.)
No caso do centurião, era um escravo, e não uma criança, que estava sofrendo. No primeiro caso, Jesus confronta o nobre dizendo: "Se vocês não virem sinais e maravilhas, nunca crerão." e depois do pedido o informa do que ocorrera: "Pode ir. O seu filho continuará vivo" (Jo 4:48-50). Já no segundo, com o centurião, demonstra a condescendência de seu espírito ao dizer: “Eu irei curá-lo”. Ou seja: “Eu mesmo comparecerei e realizarei a cura que você pede de minha parte”.
O centurião pedira que o Senhor curasse seu servo; está muito grato pela bondade de Jesus que se ofereceu para ir curá-lo; mas não quer provocar qualquer inconveniência pessoal para o Salvador. Entende que não há a mínima necessidade de que faça uma visita a sua casa e, por isso, lhe diz: “Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado.”
Importa observar que o fato ocorre com um centurião, oficial de guerra, em geral homens grosseiros e rudes que não se importam com ninguém. Formados nos campos de batalha, recebiam seu treinamento a partir das fileiras  dos soldados rasos e não por instrução intelectual, mas mediante golpes, contusões e feridas.
Podemos observar, muitas vezes, que os homens mais grosseiros, as menos cultas pessoas, têm transformado seu caráter quando chegam a crer no Senhor Jesus Cristo. Sendo assim, o centurião diz:  “Meu Senhor, eu ficaria bastante contente com tua visita: mas não mereço recebê-lo debaixo do meu teto, e não é necessária a tua presença. Tu podes curar meu servo com uma única palavra. Por isso peço-te, dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado”. Foi esse sentimento de consideração por Jesus que o levou a falar dessa maneira; e o que ele disse é notavelmente instrutivo.
Em primeiro lugar o centurião traçou um paralelo entre ele mesmo e o Senhor Jesus Cristo. O centurião disse: “Pois eu também sou homem sujeito a autoridade e com soldados sob o meu comando”. Alguns têm procurado fazer uma mudança da ênfase dada neste texto, no sentido de ensinar que a intenção do centurião era: “Estou sujeito à autoridade, mero oficial subalterno, porém posso dar algumas ordens. Tu estás sujeito à autoridade, mas és grande e poderoso, e, por isso, tu podes fazer muito mais”. Mas esse não é o sentido, de modo algum. O centurião queria dizer que ele mesmo era um homem sujeito à autoridade, não meramente um cidadão individual, mas servo de Cesar. O uniforme que usava destacava-o como militar de uma das legiões do Império Romano; a insígnia de sua farda indicava que ele era um centurião, um comandante que derivava sua posição e poder do grande Imperador em Roma. Era um homem “sujeito à autoridade”.
Não foi para desonrar Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo contrário, que esse centurião queria dizer: “Reconheço também em ti um homem sujeito à autoridade”, pois esse nosso Senhor Jesus Cristo entrou no mundo comissionado por Deus. Ele estava aqui, não meramente na sua capacidade particular, como Filho de Davi, ou como Filho de Maria, ou até mesmo como Filho de Deus; mas ele estava aqui como Aquele a quem o Pai escolhera, ungira, qualificara e enviara para levar adiante uma comissão divina. Esse oficial conseguia enxergar na pessoa de Cristo as marcas de ser comissionado por Deus. Por algum meio, ele chegara a essa conclusão segura e verdadeira, que Jesus Cristo estava agindo sob a autoridade do Deus que fez os céus e a terra; e por isso o centurião enxergava Cristo como devidamente comissionado para a sua obra.
Aquele que é comissionado para realizar alguma tarefa também recebe, da parte da autoridade superior, o poder para realizar essa tarefa. O centurião, portanto, tem soldados para cumprirem as suas ordens – “Pois eu também sou homem sujeito à autoridade e com soldados sob o meu comando; homens colocados sob o meu comando para cumprirem as minhas ordens, porque minhas ordens são autorizadas pela autoridade superior de Cesar.” Assim, esse homem parece dizer a Cristo: “Acredito que a ti está providenciada a devida assistência para o cumprimento de todos os propósitos que vieste ao mundo para cumpri-los. Se eu quero transmitir uma ordem”, diz o centurião, “digo ao meu servo: ‘Vá’, e ele vai. E se eu quero que outro venha, digo: ‘Venha’, e ele vem. Se há alguma coisa para ser feita, convoco um dos homens sob minha autoridade, e digo a ele: ‘Faça isso’ e ele faz”. Parece estar dizendo ao Salvador: “Tu, também, comissionado e nomeado pelo grande Deus, decerto tens servidores que foram destacados para te atender. Tu não fostes enviado à guerra às tuas próprias custas. Tu não fostes deixado para realizar sozinho essa obra. Devem forçosamente existir, em algum lugar, soldados e servos sujeitos a ti, os quais, não percebidos por mim, aguardam para cumprir tuas ordens”.
O paralelo fica muito claro e, isso faz com que Nosso Senhor tenha admirado a fé desse homem, que o capacitara a perceber essa grande verdade.
O centurião avançou em seu argumento. “Eu, um homem devidamente comissionado, tenho servos sujeitos a mim para cumprirem a minha vontade, e eu mantenho esses servos sob meu controle”. Isso falou porque sabemos que existem patrões que têm servos os quais dizem “Vão” e eles não vão, ou aos quais dizem “Venham”, mas não vêm muito rapidamente. Precisam falar “Venham” ou “Vão” várias vezes antes de os servos realmente virem ou irem; e podem dizer, ainda, “Faça isso” e outra vez, “Faça isso”, mas não é feito. Mas esse centurião era um oficial que sabia lidar com homens. Era um mandante, um verdadeiro senhor; não somente no nome, mas também no fato. Não tolerava, dentro dos seus domínios, nada que se assemelhasse a um motim ou resistência à sua vontade; tinha seus domésticos tão bem organizados, que, quando ele dizia ao servo “Faça isso”, ele fazia. O centurião era um comandante, um disciplinador do tipo que conquistara a obediência de seus servos. Bondoso, pois procurou a ajuda de Cristo para seu servo enfermo, mas também firme; de modo que o que ele dizia para ser feito, era par ser feito, e imediatamente.
O centurião transfere a Nosso Senhor essa característica. Ele não desacredita Cristo com a suposição de que Cristo não tem seus servos bem disciplinados, que ele tem servos que ousam não levar a sério suas ordens, que existem agências que se rebelaram contra o domínio e que agirão do modo que quiserem. “Não” diz ele, “Tu Jesus, comissionado pelo Pai, tem teus soldados e teus servos, e creio que tu os tens sob controle e sujeito a tamanha disciplina, que basta que tu fales, e o ato por ti ordenado é cumprido e fica firme para sempre.
Não imagino que qualquer que se diga seguidor de Cristo, seja capaz de questionar a verdade desse paralelo que o centurião tratou com tanta consideração.
Ao traçar esse paralelo, o centurião dá a entender que, uma vez que Cristo tinha poder de cumprir a vontade divina e que tinha esse poder sob seu controle, cria que Cristo estivesse disposto a dirigi-lo ao objetivo de curar o seu servo.
Para o centurião, não há qualquer dificuldade para que Jesus resolva o caso e cure seu servo. Pelo contrário, ele parece dizer: “Rei dos reis, Mestre e Senhor onipotente, tu podes imediatamente ordenar um anjo a voar até o meu servo, ou podes mandar a enfermidade deixar o meu lar, ou podes falar à paralisia, e a própria paralisia se tornará seu servo, e sairá voando imediatamente, segundo seu mandamento.
– É só estender o seu poder para o servo e ele será curado imediatamente.”
O centurião considerava Cristo o senhor de todos os tipos de poderes, poderes suficientes para todos os seus propósitos; ele considerava que Cristo o mantinha sob controle total, de modo que pudesse mandar cumprir suas ordens num único momento, e o centurião estava muito desejoso de se manter em posição subalterna. Sabemos disso porque quando Nosso Senhor Jesus se dispôs a descer até a casa do centurião, ele achou demais receber semelhante honra; parecia ter certeza de que estava sendo colocado numa posição errada. Ele mesmo não passava de um servidor e achava que, no papel específico que desempenhava, não era digno de acolher o Mestre debaixo do seu teto; diante disso, ele disse: “Dize apenas uma palavra, e meu servo será curado”.
Como dito desde o início, este fato ilustra perfeitamente o modo como devemos ver a autoridade espiritual e o modo como devemos agir.
Quando pensamos em Nosso Senhor Jesus Cristo, não precisamos nos preocupar com o modo como Ele realiza seus propósitos, como os propósitos de Deus serão realizados, ou como sua promessas serão cumpridas. A coisa principal que devemos fazer é sermos servos do Senhor e obedecê-Lo. Assim quando Ele diz a qualquer um entre nós “Vá”, que cuidemos de ir mesmo, e quando ele diz “Venha”, que realmente venhamos, e quando ele diz “Faça isso”, que tenhamos certeza de fazê-lo.
Se queremos governar o mundo, melhor será governarmos, antes, a nós mesmos. Se queremos purificar a igreja ou reformar o mundo, como poderemos fazê-lo antes de primeiro lavar nossas mãos na inocência?
Devemos nos colocar de modo adequado diante de Cristo.
A suprema questão em relação a Jesus Cristo não é de semântica (o significado das palavras), mas de homenagem (a atitude do coração). Não depende de que nossa língua seja capaz de aceitar uma formulação ortodoxa da pessoa de Jesus, mas depende de os nossos joelhos se dobrarem diante da sua majestade. Além disso, reverência sempre procede a compreensão. Só o conheceremos se estivermos dispostos a obedecer-lhe.

Vida e autoridade
E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. Efésios 4:11-13
Dificuldades dentro da igreja raramente se encontram em questões de desobediência externa; na maioria das vezes relacionam-se com a falta de submissão interna. Por isso o princípio governante de nossas vidas tem de ser a submissão. A unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, não estará tão distante, se reconhecermos a autoridade.
Certamente autoridade implica em grau de liderança e de iniciativa, mas cabe esclarecer que é aquela que foi demonstrada em Cristo quando veio estabelecer sua noiva. Mais especificamente, implica sacrifício e autodoação, do mesmo modo que Cristo por amor de nós.
Se, em algum sentido, “autoridade”, significa “poder”, então esse poder é para cuidar, e não massacrar; poder para servir, e não para dominar; poder para facilitar a realização do reino e não para frustrar essa realização. Em tudo isso o padrão deve ser a cruz de Cristo, na qual ele entregou a si mesmo, em obediência, até a morte, por meio do amor abnegado, em prol de sua Igreja.
Que Nosso Senhor Jesus Cristo, nos dê a graça de enaltecê-lo muito como Senhor e Mestre, cheio de poder, misericórdia e amor; e de nos colocar como servos dele, para que possamos servi-lo fielmente todos os dias da nossa vida.


Bibliografia e citações:


[1] Autoridade Espiritual, Watchman Nee, Ed. Vida, São Paulo, 20º impressão, 2004, pág. 6
[2] Cristianismo Autêntico, Textos Selecionados de John Stott, Timothy Dudley-Smith, Ed. Vida, 2006, pág. 128.
[3] Idem.
[4] Evangelho de João, 17:20-16, Bíblia de Estudo Pentecostal – Almeida Revista e Corrigida
[5] Baseado no sermão de Charles H. Spurgeon – 02 de outubro de 1.887

terça-feira, 7 de maio de 2013

Aula do dia 14 de maio de 2013

Pessoal,

Na próxima terça-feira, dia 14 de maio, teremos a aula "A Bíblia, um documento missional", ministrada por nossa convidada especial Dani Castro.

Não percam, será às 20h na ICF Vila Mariana.

Para maiores informações: cursofundamento@gmail.com

Aguardamos vocês ...

Deus abençoe