quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Calendário do 2º semestre

Já começamos o nosso 2º semestre. Não fique de fora!

Neste semestre vamos fazer um panorama bíblico bem legal.

As aulas acontecerão da seguinte maneira:

Aula
Data
Tema
Ministrante
Antigo Testamento
1
13/ago
Introdução
Washington
2
20/ago
Pentateuco
Washington
3
27/ago
Históricos 1 (De Josué a II Samuel)
Eduardo
4
3/set
Históricos 2 (De I Reis a Neemias)
A definir
5
10/set
Poéticos
Paulo Campelo
6
17/set
Proféticos 1 (De Isaías a Ezequiel)
Omar
7
24/set
Proféticos 2 (De Daniel a Malaquias)
Washington
Novo Testamento
8
22/out
Mateus, Marcos e João
Omar
9
29/out
Lucas e Atos
Omar
10
5/nov
De Romanos a Efésios
Marcelo
11
12/nov
De Filipenses a Filemom
Marcelo
12
26/nov
De Hebreus a Judas
Washington
13
03/dez
Apocalipse (fechamento da Bíblia comparando com Gênesis)
Eduardo
Ainda dá tempo de se inscrever! Mande um e-mail para cursofundamento@gmail.com

As aulas serão ministradas na ICF Vila Mariana de terças-feiras às 20h. 

Deus abençoe

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Aula 10




 Ciência e Fé


 Introdução

Ciência e fé, muitos podem pensar que são coisas totalmente antagônicas. Talvez você mesmo já ficou sem respostas quando confrontado com teorias científicas no momento em que precisou defender a sua fé.

Sabemos que a fé sempre esteve muito presente ao longo da história dos povos. Cada um com sua crença, seu deus, sua religião. Muitos povos realizaram grandes feitos ou proporcionaram muitos problemas baseados em suas crenças. Entretanto, de alguns séculos para cá, a ciência tem evoluído de forma significativa e trazido o esclarecimento do funcionamento do universo e o que nele há.

Somados os efeitos das ações de fanáticos religiosos, ao fato de que os homens buscam viver com libertinagem construindo seus próprios padrões morais que os proporcionem prazeres carnais, cada vez mais ouvimos que a fé é irracional, sendo vista por alguns até mesmo com certo ar de piedade, colocando aquele que crê na existência de um Deus como um tolo que acredita em contos do Walt Disney.

E somado a todo este cenário, precisamos defender não apenas a fé na existência de um Deus, mas a fé cristã que traz todo o contexto do evangelho, que implica em mudança de vida, ou seja, é afirmar no século XXI, que cremos que Jesus veio ao mundo, morreu em uma cruz, ressuscitou e um dia voltará para levar Sua igreja Consigo e por isso eu devo viver em santidade.

A bíblia relata que essa evolução científica ocorreria:
Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que converterem a muitos para a justiça, como as estrelas sempre e eternamente.
Tu, porém, Daniel, cerra as palavras e sela o livro, até o fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará. 
Daniel 12:3-4

Sendo assim, a realidade em que vivemos hoje é de um mundo em que a ciência está extremamente avançada, muitas descobertas em todos os âmbitos, a revolução tecnológica mais intensa e trazendo cada vez mais transformações em nossas vidas e a fé cada vez menos presente na sociedade. Segundo o Censo 2010 do IBGE, 8% da população brasileira se considera sem religião, isso representa 15 milhões de brasileiro. Um crescimento de 121% em 20 anos.

E isso, estamos falando de Brasil, o quarto país mais religioso do mundo, uma das nações onde mais se cresce o número de evangélicos na atualidade. Mundo a fora, especialmente países desenvolvidos, o número de pessoas sem religião tem crescido assustadoramente nos últimos anos. Atualmente na Suécia 85%, Dinamarca 80%, Noruega 72%, e por aí vai, são ateus.

Por isso, nós cristãos, precisamos entender como caminha a fé e a ciência de modo que possamos argumentar de forma inteligente e perspicaz a nossa fé em Jesus em detrimento ao mundo em que vivemos.

Precisamos aprender que há coisas na fé, que é por fé, em outras palavras, milagre não se explica. Todavia, se a bíblia é a palavra de Deus, como cremos, logo, leis científicas não podem contradizer a palavra de Deus, nem tão pouco a palavra de Deus contradizer leis científicas. E aqui vem o primeiro ponto de atenção: precisamos aprender a separar lei científica de teoria científica. Vamos entender melhor, uma lei científica é uma teoria testada e comprovada, por exemplo, a lei da gravidade. Uma teoria científica é uma hipótese, muitas vezes até bem estruturada, porém que não fora comprovada, por exemplo, a Teoria do Big Bang.

Vamos falar um pouco mais detalhadamente sobre este assunto.



A teoria do Big Bang e a Bíblia

A Bíblia narra em Gênesis 1 a criação, e mostra de forma bastante contundente a imposição de uma força criacionista realizada por Deus que culminou na existência do Universo e de tudo o que nele há. Todavia, uma das correntes mais aceitas entre a sociedade atual é a da explosão chamada Big Bang, que deu origem ao Universo sem a intervenção de um ser inteligente. Vamos entender um pouco melhor as duas correntes.

A teoria Criacionista

Conforme dissemos, temos a narração da criação do mundo em Gênesis capítulo 1:
No princípio criou Deus os céus e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.
E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas.
E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi.
E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.
E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi.
E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom.
E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi.
E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.
E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro.
E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos.
E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi.
E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas.
E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra,
E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom.
E foi a tarde e a manhã, o dia quarto.
E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus.
E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.
E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra.
E foi a tarde e a manhã, o dia quinto.
E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi.
E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.
E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.
E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.
E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto. 
Gênesis 1:1-31

A Bíblia é bastante enfática que Deus, eterno, inteligente, aplicou “força” para a criação do universo, ou em outras palavras, o universo não é fruto do acaso.

O meu socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra. Salmos 121:2
Tudo o que o SENHOR quis, fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos. Salmos 135:6
Depois disto o SENHOR respondeu a Jó de um redemoinho, dizendo:
Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?
Agora cinge os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu me ensinarás.
Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência.
Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?
Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina,
Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?
Ou quem encerrou o mar com portas, quando este rompeu e saiu da madre;
Quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por faixa?
Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus portas e ferrolhos,
E disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se parará o orgulho das tuas ondas?
Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada, ou mostraste à alva o seu lugar;
Para que pegasse nas extremidades da terra, e os ímpios fossem sacudidos dela;
E se transformasse como o barro sob o selo, e se pusessem como vestidos;
E dos ímpios se desvie a sua luz, e o braço altivo se quebrante;
Ou entraste tu até às origens do mar, ou passeaste no mais profundo do abismo?
Ou descobriram-se-te as portas da morte, ou viste as portas da sombra da morte?
Ou com o teu entendimento chegaste às larguras da terra? Faze-mo saber, se sabes tudo isto.
Onde está o caminho onde mora a luz? E, quanto às trevas, onde está o seu lugar;
Para que as tragas aos seus limites, e para que saibas as veredas da sua casa?
De certo tu o sabes, porque já então eras nascido, e por ser grande o número dos teus dias!
Ou entraste tu até aos tesouros da neve, e viste os tesouros da saraiva,
Que eu retenho até ao tempo da angústia, até ao dia da peleja e da guerra?
Onde está o caminho em que se reparte a luz, e se espalha o vento oriental sobre a terra?
Quem abriu para a inundação um leito, e um caminho para os relâmpagos dos trovões,
Para chover sobre a terra, onde não há ninguém, e no deserto, em que não há homem;
Para fartar a terra deserta e assolada, e para fazer crescer os renovos da erva?
A chuva porventura tem pai? Ou quem gerou as gotas do orvalho?
De que ventre procedeu o gelo? E quem gerou a geada do céu?
Como debaixo de pedra as águas se endurecem, e a superfície do abismo se congela.
Ou poderás tu ajuntar as delícias do Sete-estrelo ou soltar os cordéis do Orion?
Ou produzir as constelações a seu tempo, e guiar a Ursa com seus filhos?
Sabes tu as ordenanças dos céus, ou podes estabelecer o domínio deles sobre a terra?
Ou podes levantar a tua voz até às nuvens, para que a abundância das águas te cubra?
Ou mandarás aos raios para que saiam, e te digam: Eis-nos aqui?
Quem pôs a sabedoria no íntimo, ou quem deu à mente o entendimento?
Quem numerará as nuvens com sabedoria? Ou os odres dos céus, quem os esvaziará,
Quando se funde o pó numa massa, e se apegam os torrões uns aos outros? 
Jó 38:1-38

Entre muitos outros versículos onde a Bíblia ratifica Deus como sendo o Criador de todas as coisas.

Todavia, a ideia do Criacionismo tem sido fortemente combatida com a premissa da não existência de Deus, logo, somos fruto do acaso, da evolução. Normalmente essa ideia é aceita entre os mais questionadores e infelizmente, a igreja tem se omitido em responder questões sobre a fé, muitas vezes por falta de conhecimento teórico mais abrangente.

Sabemos muito bem como funciona o criacionismo, vamos entender melhor como funciona a teoria do Big Bang e compará-las, analisar onde estão os pontos fortes e fracos de cada uma delas.

A teoria do Big Bang

O primeiro homem a usar este nome, Big Bang, para a explosão “primordial” que segundo a teoria deu origem a todas as coisas, foi o físico inglês Fred Hoyle.

A teoria diz que a partir do chamado “átomo primordial”, onde todo o universo estava concentrado, conforme diz a Lei de Hubble, houve uma explosão que proporcionou uma rápida expansão do universo, o que posteriormente Albert Einstein chamaria de Teoria da Relatividade, no qual todas as coisas existentes no universo surgiram a partir desta, e que o universo está em constante expansão.

Ou seja, a partir de um único átomo, todas as galáxias, estrelas, planetas, incluindo a Terra e a vida que nela há surgiram.

Vale ressaltar que a teoria não explica o surgimento deste “átomo primário”.

Então, quais são as contradições entre o Criacionismo e a Teoria do Big Bang?

Teorias em contraposição

O Criacionismo parte da premissa de que há um criador, o Big Bang, não. O que soa um tanto estranho porquanto que para haver criação é necessário um criador, não existe “autocriação”.

Porém, ignorando esta premissa, vamos dar continuidade.

Outro ponto de divergência é que o Criacionismo mostra categoricamente que a vida provém de Deus, o Big Bang não consegue explicar a origem da vida, mesmo que a ciência atual diga que apenas vida gera vida, que não é possível obter vida de um objeto inanimado.

Além de que é um mistério dentro da Teoria do Big Bang o “antes” da explosão, enquanto que a Teoria Criacionista diz que havia um Deus eterno, que sempre existiu.

Ainda que muitos que creem no Criacionismo não atribuam ao Deus Cristão a autoria do Universo, pois a teoria parte da premissa que há um criador para o universo e não de quem seja o criador, me dou a liberdade de atribuir a Ele (Deus Pai, Filho e Espírito Santo) esta autoria de acordo com o nosso conhecimento e fé, crendo que a Bíblia, que narra a criação e atribui a autoria a Deus é a verdade.

 Um dos principais problemas sobre a Teoria do Big Bang é a contradição dela com a Lei da Termodinâmica.

Lei da Termodinâmica

O que é a Lei da Termodinâmica?

É o conjunto de princípios que regem a absorção e as transformações da energia. Através da física, foi possível prever todos os fenômenos que envolvam transformações ou transferências de energia.

O grande problema da Teoria do Big Bang, é que a mesma fere a primeira e a segunda leis da Termodinâmica:

A primeira lei, também chamada de Princípio da Conservação da Energia, diz que a energia não pode ser criada ou destruída. Em outras palavras, para que a energia cresça substancialmente é necessário a aplicação de mais energia, logo, a partir de uma única explosão, não é possível que a energia cresça de forma linear, geométrica, exponencial ou qualquer que seja a métrica de projeção.

A segunda lei diz que em qualquer transformação de energia, uma parte dela é degradada. Ou seja, sempre tende da ordem ao caos e não o contrário. Mais uma vez contradiz o Big Bang que narra que de uma explosão o universo se alinhou tão perfeitamente ao ponto de existir vida na Terra, não vou me ater a este ponto, mas vale pesquisar a necessidade da perfeição de equilíbrio necessária para que exista vida na Terra.

Cada um destes pontos que estou citando, há um universo de informações extremamente complexas a serem compreendidas, por isso, trago apenas uma explicação superficial para trazer o entendimento, mas também deixo a dica que vale a pena você se aprofundar nestes assuntos, são bem legais de serem estudados.

Tudo isso, estamos avaliando a criação do universo, e muito superficialmente a origem da vida, vamos ver o que a Ciência e a Fé falam a respeito disto.

 Evolucionismo x Criacionismo

Em “A Origem das Espécies” de 1859, Charles Darwin busca apresentar uma teoria que responda quais são as causas da diversidade da vida.  É interessante ratificarmos isso, pois a teoria não busca explicar a origem da vida, mas sua biodiversidade. Como vimos, a origem da vida ainda é um mistério para a ciência moderna.

A ideia que ele propõe é que a partir de uma única célula viva, através de mutações e transformações na cadeia genética em função da adaptação ao clima ou a qualquer obstáculo em busca da permanência da espécie, essa única célula promoveu esta biodiversidade que conhecemos hoje.

Então, era uma célula, que se multiplicou, parte se tornou vegetal, parte animal (claro que todos ainda muito primitivos), e essa evolução foi acontecendo até que dos primatas viesse o homem.

E a partir da ideia de “seleção natural”, onde apenas o mais forte sobrevive, houve transformações que levaram o mundo a ser como é hoje.

Todavia, sabemos que a Bíblia trata explicitamente sobre a criação de todos os seres vivos. Deus criou toda vegetação, todos os animais (répteis, aves, mamíferos, etc.) e com Suas próprias mãos fez o homem no sexto dia.

Agora, o que fazer quando colocamos um teoria frente a outra. Vamos entender.

Primeiro quero lembrar mais uma vez, que se é teoria, logo, não fora comprovada cientificamente, ou seja, não há base científica suficiente para dizer “é assim”. Então, dizer que é uma teoria científica não quer dizer que seja verdade, é apenas uma hipótese.

Segundo, que hoje, com a evolução da ciência e das ferramentas para estudo científico, descobriu-se que as células, ainda que microscópicas, possuem uma cadeia de DNA tão complexa que se destoam completamente umas das outras e que é basicamente impossível afirmar que todas elas vieram de um único modelo celular. Ou seja, sabemos agora que existem dezenas de milhares de sistemas irredutivelmente complexos no nível celular. Como disse o biólogo molecular Michael Denton escreveu: "Embora as menores células bacterianas sejam incrivelmente pequenas, pesando menos de 10-12gramas, cada uma é na verdade uma verdadeira fábrica micro-miniaturizada contendo milhares de peças requintadas de maquinaria molecular complexa, composta inteiramente de cem mil milhões de átomos, muito mais complicada do que qualquer máquina construída pelo homem e absolutamente sem paralelo no mundo dos seres não viventes." 

O próprio Darwin confessou: "Para supor que o olho, com toda a sua capacidade de ajustar o foco para diferentes distâncias, de se ajustar a diferentes quantidades de luz e de corrigir a aberração esférica e cromática, poderia ter se formado por seleção natural parece, eu confesso livremente, absurdo no mais alto grau possível”.

Então como explicar os homens das cavernas, como os homens neandertais?

Homem das cavernas

Como já vimos em outra aula, lá em Jó 30 diz:
Agora, porém, se riem de mim os de menos idade do que eu, cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho.
De que também me serviria a força das mãos daqueles, cujo vigor se tinha esgotado?
De míngua e fome se debilitaram; e recolhiam-se para os lugares secos, tenebrosos, assolados e desertos.
Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram as raízes dos zimbros.
Do meio dos homens eram expulsos, e gritavam contra eles, como contra o ladrão;
Para habitarem nos barrancos dos vales, e nas cavernas da terra e das rochas.
Bramavam entre os arbustos, e ajuntavam-se debaixo das urtigas.
Eram filhos de doidos, e filhos de gente sem nome, e da terra foram expulsos. 
Jó 30:1-8

Este texto traz uma declaração de que haviam homens que moravam em cavernas, e estes eram homens que agiam de forma bastante primitiva, o que nos remete à todo estudo científico que mostra o comportamento dos “homens primatas”.

- DNA mitocondrial

O DNA mitocondrial (mtDNA) é um marcador genético de interesse nos estudos forenses,
especialmente pelo fato de uma única célula possuir mais de 5.000 cópias de mtDNA.

A maioria do DNA humano encontra-se no núcleo das células, mais especificamente nos cromossomos. O mtDNA é de origem extranuclear, e seu genoma circular é encontrado dentro das mitocôndrias (fornecedoras de energia) que estão localizadas no citoplasma das células. Devido à sua localização está presente em grande quantidade nas células

O mtDNA é herdado apenas da mãe, pois é herdado da mitocôndria e quando o espermatozoide entra no óvulo, não carrega consigo mitocôndrias.

E a partir do mapeamento do mtDNA, os cientistas conseguiram afirmar que TODOS os seres humanos vêm de uma mesma e única mulher que viveu a aproximadamente 6.000 anos. Mulher esta que a ciência a chama de Eva Mitocondrial.

Novamente, a ciência destoa da teoria darwinista e corrobora com a teoria criacionista bíblica, pois se somos fruto da evolução, fica estranho dizer que apenas uma única mulher foi capaz de produzir seres que sobrevivessem a toda evolução, enquanto que a Bíblia é bastante enfática que Deus criou Eva.



A evolução científica e a Bíblia

É interessante que apesar da maioria dos cientistas serem ateus e afirmarem a não existência de Deus a partir de seus estudos, como a evolução da ciência traz mais implicações a favor da Bíblia que contra ela. E isso, nós cristãos, precisamos ser mais convictos quanto a nossa fé em Deus e em sua palavra. Ou seja, se a Bíblia é a verdade, palavra de Deus, logo, a ciência não pode anula-la, e vice-versa.

Vamos a dois exemplos bastante interessantes:

A Teoria da Relatividade, até 1905 acreditava-se que o universo sempre havia existido, e isso era consenso dentro do universo científico. Mas em 1905, Albert Einstein publicou um estudo chamado a Relatividade Especial a partir de estudos do matemático francês Henri Poincaré e do físico holandês Hendrik Lorentz, entre outros. E posteriormente publicou A Teoria da Relatividade.

Em resumo e de forma bastante simplificada, a teoria dizia que o universo está em constante expansão, e segue expandindo na velocidade da luz. Logo, se regredirmos no tempo, chegará um momento onde o universo não existia, ou seja, um dia ele foi criado. Estima-se que o universo tenha aproximadamente 13,7 bilhões de anos.

Justamente por isso, buscou-se entender a origem do universo e então a criação da teoria do Big Bang. Ou seja, a evolução científica mostrou que Gênesis 1:1 estava correto, o universo tem um começo.

Outro exemplo bacana de como a evolução científica tem ajudado a entender alguns temas bíblicos é o texto da criação de Eva. Este exemplo é do Professor Adauto Lourenço e acho muito pertinente.

Até 10 anos atrás a ideia de que Deus fez cair um sono profundo em Adão, tirou-lhe uma de seus costelas, encheu de carne o local e fez Eva parecia ser absurdamente sem fundamento. Mas vamos fazer uma releitura dos procedimentos: Deus faz cair um sono profundo em Adão, anestesia geral. Tira uma de suas costelas e faz Eva. Para clonar alguém, é preciso de material genético, e com estudos recentes, sabe-se que o melhor deles é a célula-tronco. E sabe-se que os locais ideias para adquirir célula-tronco são: o cordão umbilical, o osso da bacia, do esterno e a costela. Em outras palavras, Deus retirou o melhor material genético de Adão para criar Eva. E por fim, enche de carne, cirurgia plástica restauradora.

Se não houvesse a evolução científica e o estudo de células-tronco, este texto ainda nos pareceria estranho, mas com a evolução científica, fica muito mais fácil sua compreensão.

Divergências entre a ciência e a fé

Quero compartilhar que ainda há muitas incógnitas que talvez sejamos questionados, e quero tentar entender, ainda que superficialmente algumas delas.

Datações

Como a ciência diz que tal animal, vegetal ou mesmo fóssil humano viveu há milhões de anos se a história do homem segundo a Bíblia tem aproximadamente 6 mil anos?

Bom, a técnica mais utilizada para datar qualquer matéria é a verificação do Carbono 14. O que é isto?

A técnica, apresentada em 1946 por Willard Frank Libby, parte da premissa que basicamente toda massa sobre a Terra possui átomos de carbono 12, 13 e 14, sendo este último radioativo e com um tempo de meia vida de 5.730 anos. Ou seja, ele diminui pela metade neste período de tempo. Logo, a partir de alguns estímulos de radiação, é possível datar quando este esteve intacto e consequentemente, há quantos anos existiu aquele indivíduo.

Atualmente, há outros elementos químicos com tempo de vida radioativa muito maiores que ajudam a datar coisas e serem de tempos muito maiores.

E como podemos contrapor isto com a Bíblia?

Bom, temos apenas hipóteses e não há uma linha clara sobre o assunto. Mas há alguns que dizem que o dia e a noite de Gênesis 1, sobre cada dia da criação, a palavra Yom, em hebraico, significa um dia (de luz), um dia de 24 horas, ou um período indeterminado de tempo, logo, a terra de fato teria 4,5 bilhões de anos. É uma hipótese, mas apenas uma corrente onde há vários argumentos que discordam disto, mas não é o foco do nosso estudo.

Outra hipótese é que talvez o diluvio tenha influenciado e envelhecido os átomos. Da mesma forma que as pessoas passaram a viver menos, ou seja, houve um processo de envelhecimento mais rápido, logo, toda matéria pode ter sofrido este impacto e consequentemente aparentarem ser muito mais velhas do que realmente são.

Enfim, ainda não há nada que sugira com clareza quais são os fatores e divergências de datações, mas fica o questionamento para o tempo oportuno que traga a resposta.

Dinossauros

É fato que dinossauros existiram, mas por que a Bíblia não fala sobre eles?

Bom, em primeiro lugar o termo “dinossauro” foi usado pela primeira vez por Richard Owen no século 19. Logo, não poderia estar na Bíblia escrita há aproximadamente 2.000 anos atrás. Mas vemos em Jó citações de animais, como o beemote, que nos remetem a estes “dinossauros” que conhecemos atualmente:
Contemplas agora o beemote, que eu fiz contigo, que come a erva como o boi.
Eis que a sua força está nos seus lombos, e o seu poder nos músculos do seu ventre.
Quando quer, move a sua cauda como cedro; os nervos das suas coxas estão entretecidos.
Os seus ossos são como tubos de bronze; a sua ossada é como barras de ferro.
Ele é obra-prima dos caminhos de Deus; o que o fez o proveu da sua espada.
Em verdade os montes lhe produzem pastos, onde todos os animais do campo folgam.
Deita-se debaixo das árvores sombrias, no esconderijo das canas e da lama.
As árvores sombrias o cobrem, com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam.
Eis que um rio transborda, e ele não se apressa, confiando ainda que o Jordão se levante até à sua boca.
Podê-lo-iam porventura caçar à vista de seus olhos, ou com laços lhe furar o nariz? 
Jó 40:15-24

Outro fator importante para ponderarmos é que a reconstrução da imagem de um dinossauro é feita a partir do fóssil e de animais vivos que tenham particularidades semelhantes no desenho ósseo para a construção de como seriam os músculos e aparência e consequentemente se o mesmo era carnívoro ou herbívoro. Fato é, que a ciência moderna tem crido que a possibilidade de os dinossauros terem penas e não escamas é muito mais plausível. E também é fato que em Gênesis 1 está escrito que Deus criou aves e répteis, ou seja, sendo um ou outro, Deus os criou.

E quando e por que deixaram de existir?

A ciência mais uma vez data milhões de anos atrás e por um catástrofe global que seria esta ou um meteoro que caiu na terra, teoria que atualmente perdeu força, ou por uma mudança climática drástica.

Se pensarmos no livro de Jó, livro este que relata a vida de um homem que provavelmente viveu antes do dilúvio, e que conhecia o beemote, os dinossauros conviveram com o homem, sendo o livro de Jó o mesmo que nos traz a ideia de homens que moravam em cavernas. Logo, acredita-se que o diluvio talvez seja esta mudança climática que trouxe a extinção dos dinossauros. Mas todas estas informações são apenas correntes e não é possível provar biblicamente. Fica apenas a exposição das mesmas caso precisem argumentar. Outros cristãos respaldados na ideia de que um meteoro destruiu os dinossauros, atribuem a ocorrência à queda de satanás na terra. Enfim, veremos muitas coisas diferentes, o importante é ser equilibrado e sensato e nunca esquecermos de que a Bíblia é a palavra de Deus. O que não temos respostas hoje, teremos na eternidade.

Tem coisa que é por fé – Milagres

Agora, é importante não racionalizarmos todas as coisas. Há coisas na Bíblia que são milagres, e milagres transcendem às leis naturais. Provavelmente não haverá explicação científica para como Jesus transformou água em vinho, ou ressuscitou mortos. Como também para a passagem de Balaão onde a Bíblia diz que a mula falou entre tantas outras passagens.

Mas uma coisa é fato, é muito mais plausível acreditar que um Deus, criador de todas as coisas, deu voz a uma mula, que Ele mesmo criou. Do que a ideia de que tudo surgiu do nada, literalmente do nada.




Considerações Finais

Teria ainda uma imensidão de assuntos para serem explorados, e sem dúvida ainda ficarão dúvidas sobre tantas coisas, dúvidas que talvez só teremos as respostas na eternidade.

Entretanto, o que nos cabe é guardar a nossa fé e quando necessário estar apto para argumentar e defender o que acreditamos.

O grande problema das pessoas em geral está aquém da ciência, pois é infinitamente mais plausível a existência de um criador a não existência, cientificamente falando. O problema está nas implicações que a existência deste criador traz.

Se Deus existe, é o Criador de todas as coisas, a Bíblia é verdade, logo, preciso mudar de vida pois haveremos de prestar contas com Ele.

E é o que a Bíblia diz:
E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.
Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus. 
João 3:19-21

Então, não tenha medo de defender a sua fé, apenas seja equilibrado e racional para defende-la. Questione também. Por exemplo, ainda que a teoria do Big Bang seja verdadeira, onde ela anula a existência de Deus?

Procure ganhar conhecimento, seja equilibrado em suas respostas e o Espírito Santo, que convence do pecado, da justiça e do juízo te ajudará sobre o que e como falar. Estude ciência e mais ainda a Bíblia.




Bibliografia

IBGE – Censo 2010 – Banco Sidra












segunda-feira, 20 de maio de 2013

Cancelamento da aula do dia 21/05

A aula sobre "Panorama Bíblico" que seria ministrada dia 21 de maio não será realizada nesta data, estamos postergando esta aula. Sendo assim, nossa próxima aula deverá acontecer no dia 04 de junho, Ciência e Fé, ministrada pelo Eduardo Santos.

Qualquer dúvida encaminhe um e-mail para: cursofundamento@gmail.com

Deus abençoe

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Aula 7



Autoridade Espiritual



Washington A. Ferreira
 “Pregamos o  evangelho a fim de colocarmos os homens sob autoridade de Deus, mas como podemos estabelecer a autoridade de Deus na terra se nós mesmos ainda não a conhecemos?[1]


A auto-revelação divina e a autoridade bíblica

Há um senso comum de autoridade, diante do qual o nível hierárquico de um indivíduo ou instituição, determina o exercício de seu poder. No decorrer deste estudo tentaremos alargar um pouco mais este conceito, a partir da constatação de que não há autoridade que não proceda de Deus.
Não nos parece razoável, iniciarmos com a afirmação de que Deus é a fonte de toda autoridade, sem reconhecer que fundamentalmente, cremos naquilo que cremos, não porque seres humanos o inventaram, mas porque o próprio Deus o revelou. Como consequência, existe uma autoridade nesta revelação que nunca poderá ser destruída.
Se reconhecemos que a mente humana é tanto finita quanto decaída, bem como jamais compreende nem crê sem a obra graciosa do Espírito Santo, como conhecer a autoridade de Deus?
– A Bíblia é a auto-revelação de Deus, a autobiografia divina.
Na Bíblia, o assunto e o objeto são idênticos, pois nela Deus fala a respeito de Deus. Ele torna seu ser conhecido em sua rica diversidade,  como o Criador do Universo e tudo o que nele há.
Na Bíblia, Deus nos dá revelações de si mesmo, as quais nos levam à adoração; promessas de salvação, que estimulam nossa fé; e mandamentos que expressam seu desejo, os quais demandam nossa obediência. Este é o significado do discipulado cristão dos quais destacados três ingredientes essenciais, quais sejam: a adoração, a fé e a obediência. Os três são inspirados pela Palavra de Deus.
A Palavra de Deus foi designada para nos tornar cristãos, e não cientistas, e para nos levar à vida eterna por meio da fé em Jesus Cristo. Deus não revelou sua verdade com o intuito de nos deixar livres para escolher acreditar nela ou não, para obedecer ou não a essa verdade. A revelação carrega consigo a responsabilidade; e quanto mais clara a revelação, maior a responsabilidade; para crer nela e obedecer.
Vivemos em uma época de muito subjetivismo, na qual o existencialismo tenta forçar uma interpretação  “relativa” do que é verdadeiro ou falso. Utiliza-se de critérios puramente subjetivos por meio dos quais avalia o que é “autêntico” e, mais precisamente, o que se parece autêntico dentro de uma interpretação pessoal.
Mas para nós cristãos, impõe-se admitir que Deus falou histórica e objetivamente; sua Palavra culminou em Cristo e no testemunho apostólico sobre ele; e as Escrituras são exatamente a Palavra de Deus escrita para nosso aprendizado. Nossas   tradições, nossa opiniões e nossas experiências, todas elas devem, portanto, submeter-se ao independente e objetivo teste da verdade bíblica.
A compreensão bíblica da Palavra de Deus não se reduz apenas ao entendimento de que ele a profere, mas que ele age por meio dela. Suas palavras não são meras falas; também são ações. Isso fica claro na Criação, que foi afetada pelas palavras de ordem dadas por Deus: “...disse Deus... E assim foi...”; “Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo surgiu” (Gn 1:6-7; Sl 33:9).
Não pode haver dúvidas ao se afirmar onde reside a suprema autoridade, pois Deus a entregou ao Senhor Jesus, ressurreto e exaltado. Jesus disse: “Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra” (Mt. 28:18). É nossa convicção de que Cristo exerce sua autoridade por meio de seu Espírito, mediante sua Palavra.
A primeira e mais importante razão porque devemos acreditar na inspiração divina e na autoridade das Escrituras não é o que as igrejas ensinam, ou os autores afirmam, ou ainda o que os leitores sentem, mas aquilo que Jesus mesmo disse. Cristo endossou a autoridade das Escrituras, e por conseguinte,  sua autoridade e a autoridade das Escrituras ou se sustentam juntas ou caem juntas[2].
Toda a evidência disponível confirma que Jesus Cristo consentiu em sua mente e submeteu-se em sua vida à autoridade do Antigo Testamento. Não é minimente aceitável que tenhamos, enquanto seus seguidores, uma visão inferior à que ele tinha das Escrituras.
Sabemos que: “o discípulo não está acima de seu mestre. É inconcebível que um cristão que olhe para Jesus como seu Mestre e Senhor tenha uma visão menor que a dele sobre o AT.  Que sentido faz chamar Jesus de “Mestre” e “Senhor” para depois discordar dele? Não temos liberdade para discordar dele. Sua visão das Escrituras deve tornar-se a nossa visão.”[3]
Inspiração é a palavra tradicionalmente usada para descrever a atividade de Deus ligada à composição da Bíblia. Na verdade a inspiração divina da Bíblia é o fundamento de sua autoridade divina. Dizer que “a Bíblia é a Palavra de Deus é verdade”. Mas não podemos deixar de considerar que ela traz, também, orientações e testemunhos daqueles que vivenciaram e/ou narraram situações e acontecimentos, cujo relato nos permite entende-la racionalmente. A Lei, por exemplo, é definida por Lucas como “Lei de Moisés” e como “Lei do Senhor” e isso acontece em versículos consecutivos (Lc 2:22-23). De modo similar, em Hebreus, afirma-se que “Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas...”, e em 2 Pedro que “...os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” portanto Deus falou e o homem falou. Essas duas afirmações são verdadeiras e nenhuma contradiz a outra, encontrando reforço em 2 Timóteo 3:16, a saber: “Toda a Escritura é inspirada por Deus...” (NVI).
“Autoridade” é o poder ou peso que as Escrituras possuem graças ao que ela é, a saber, a revelação divina dada por inspiração divina. Se ela é a Palavra de Deus, traz consigo a autoridade de Deus. Pois, por trás de cada palavra que uma pessoa fala, está a pessoa que a profere. É o próprio interlocutor (seu caráter, conhecimento e posição) que determina como as pessoas encaram suas palavras. Portanto, a Palavra de Deus traz consigo a autoridade de Deus. É pelo que Deus é que devemos acreditar no que Ele diz.
Submissão às Escrituras representa nossa submissão a Cristo. Não há como separar Nosso Senhor Jesus Cristo e a Bíblia. Jesus disse: “Examineis as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.” (Jo 5:39). Este testemunho recíproco entre a Palavra viva e a Palavra escrita é a chave para a compreensão cristã da Bíblia.
Podemos portanto afirmar que a submissão às Escrituras é para nós o sinal de nossa submissão a Cristo. O testemunho que Jesus nos apresenta a respeito das Escrituras certifica-nos de sua autoridade.
Assim, falarmos de autoridade espiritual, implica, necessariamente, reconhecermos sua revelação e nos submetermos à autoridade daquele que intercede por nós junto ao Pai, para que sejamos perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que Deus enviou seu Filho amado por amor de nós.[4]

O trono de Deus estabelecido sobre a autoridade
O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas. (Hb 1:3)
Deus age a partir do seu trono, e o seu trono está estabelecido sobre a sua autoridade. Todas as coisas são criadas pela autoridade de Deus e todas as leis físicas do universo são mantidas através de sua autoridade. Por isso a Bíblia nos revela que Deus, por Cristo, resplendor da sua glória e expressa imagem de sua pessoa,  “sustenta todas as coisas pela palavra de seu poder”, o que significa que todas as coisas são mantidas pela palavra do poder de sua autoridade. Pois a autoridade divina representa o próprio Deus enquanto o poder se expressa apenas pelos seus atos. Só Deus é autoridade em todas as coisas; toda autoridade da terra foi instituída por Deus. (Rm 13:1-7) A autoridade é algo tremendo no Universo – nada a supera. Portanto é imperativo que nós que desejamos servir a Deus conheçamos a autoridade de Deus.

Princípios de Satanás
Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!
E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte.
Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. (Is 14:12-14)
O arcanjo transformou-se em Satanás quando tentou usurpar a autoridade de Deus competir com Deus, e assim se tornou adversário de Deus. Foi a rebeldia que provocou a queda de Satanás. Isto é narrado tanto em Isaías 14:12-15, como Ezequiel 28:13-17.
A intenção de Satanás de estabelecer seu trono acima do trono de Deus violou a autoridade de Deus, tendo por princípio a auto-exaltação e isto determinou sua condenação. Quando servimos a Deus e não nos submetemos às autoridades, estamos, em última análise, agindo de acordo com este princípio de rebeldia, o qual é incompatível com a vontade de Deus.
A vontade de Deus é absoluta
Durante os seus dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em alta voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, sendo ouvido por causa da sua reverente submissão, embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu; e, uma vez aperfeiçoado, tornou-se a fonte de eterna salvação para todos os que lhe obedecem. (Hb 5:7-9)
Vemos na oração de Nosso Senhor no Getsêmani, o expressão plena de sua obediência à vontade de Deus. Nosso Senhor considerava o obedecer à autoridade de Deus mais importante do que sacrificar-se sobre a cruz. Ele ora sinceramente para atender a efetiva vontade de Deus. Ele não diz: “Eu quero ser crucificado, eu tenho que beber esse cálice”. Na realidade diz: "Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua" (Lc 22:42)
Consequentemente a morte do Senhor é a mais alta expressão da obediência à autoridade.
Na qualidade de servos de Deus, a primeira coisa que temos de fazer é travar relações com a autoridade. Antes de podermos trabalhar para Deus temos de ser conquistados por sua autoridade. Todo o nosso relacionamento com Deus é regulado pelo fato de termos ou não travado relações com a autoridade. Em caso afirmativo encontraremos a autoridade em todos os lugares, e sendo assim governados por Deus, podemos começar a ser usados por Ele.
A queda de Adão e Eva
Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: "Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’?"
Respondeu a mulher à serpente: "Podemos comer do fruto das árvores do jardim,
mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’ ".
Disse a serpente à mulher: "Certamente não morrerão!
Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal".
Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também. (Gn 3:1-6)

Porque, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores (Rm 5:19)
Depois que Deus criou Adão, encarregou-o de algumas coisas: entre estas estava a ordem de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. O ponto crucial dessa determinação foi mais do que a proibição de comer certo fruto; antes, significava que Deus estava colocando Adão sob autoridade para que aprendesse obedecer. De um lado, Deus colocou todas as coisa criadas na terra sob autoridade de Adão para que ele as dominasse; mas por outro lado, Deus colocou o próprio Adão debaixo de autoridade para que ele pudesse obedecer à autoridade. Só aquele que está sob autoridade pode constituir uma autoridade.
De acordo com a ordem da criação divina. Deus criou Adão antes de criar Eva. Colocou Adão em posição de autoridade e Eva sob a autoridade de Adão.
A queda do homem deve-se à desobediência à autoridade de Deus. Toda atitude que implica desobediência constitui uma queda, e qualquer atitude de desobediência é rebeldia.
Os cristãos devem obedecer à autoridade
Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. (Rm 13-1)
Não existe autoridade que não proceda de Deus; todas as autoridades foram instituídas por ele. Quando procuramos encontrar a fonte de toda autoridade encontramo-la invariavelmente em Deus. Deus está acima de toda autoridade, e todas as autoridades estão debaixo dele. Ele mantém todas as coisas pela poderosa palavra de sua autoridade, exatamente como as criou pela mesma palavra.
Já vimos muitas formas de tentar explicar o que o apóstolo Paulo ensinou quanto à obediência das autoridades constituídas, mas ele é claro em sua orientação, não cabendo ai qualquer variável.
Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas.
Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos.
Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá.
Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal.
Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência.
É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho.
Deem a cada um o que lhe é devido: Se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra. (Rm 13:1-7)
Cabe considerar que a submissão é um a questão de atitude, sendo pois absoluta, já a obediência é uma questão de conduta. Isto se reflete na conduta de Pedro e João, quando responderam ao concílio religioso dos judeus: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos a vós outros do que Deus” (Atos 4:19). Seu espírito não foi de rebeldia, uma vez que ainda se submetiam àqueles que estavam em posição de autoridade. A obediência, entretanto, não pode ser absoluta. Há de se ter claro, que mesmo em submissão às autoridades constituídas, a obediência a elas, não pode contrariar aquilo que decorre da autoridade revelada por Deus em sua Palavra, tais como: crer no Senhor, pregar o evangelho e assim por diante.
Os filhos podem fazer sugestões a seus pais, mas não devem demonstrar uma atitude de insubordinação. A submissão é absoluta. Às vezes a obediência é submissão, enquanto que noutras ocasiões, uma incapacidade de obedecer ainda pode ser submissão. Mesmo quando fazemos uma sugestão, devemos manter uma atitude de submissão.
Reiteramos, pois, no entanto, que se uma autoridade constituída emitir uma ordem claramente em contradição com a ordem de Deus, deverá receber submissão mas não obediência. Podemos entender melhor tal situação a partir de alguns exemplos bíblicos:
1.    As parteiras e a mãe de Moisés, todas desobedeceram ao decreto de Faraó preservando a vida de Moisés. Mas foram consideradas mulheres de fé.
2.    Os três amigos de Daniel recusaram-se a adorar a imagem de ouro erigida pelo rei Nabucodonosor. Desobedeceram à ordem do rei, mas submeteram-se ao fogo do rei.
3.    Ignorando o decreto real, Daniel orou a Deus; não obstante submeteu-se ao julgamento do rei sendo lançado na cova dos leões. Neste caso o próprio rei se submeteu ao decreto que editara conforme a lei dos medos e dos persas, o qual não podia ser revogado, ficando o rei em grande aflição pelo amigo.
4.    José fugiu com o Senhor Jesus para o Egito para evitar que a criança fosse morta pelo rei Herodes.
5.    Pedro pregou o evangelho embora fosse contra a ordem do concílio governante, pois declarou que importava antes obedecer a Deus do que aos homens. Mas submeteu-se quando foi levado à prisão.


Homem sujeito à autoridade[5]

A narração bíblica de Mateus capítulo 8, versos de 5 a 13, ilustram muito bem os princípios de autoridade e do reconhecimento de como ela deve ser exercida, motivo pelo qual usaremos essa ilustração para melhor entendermos sua aplicação.
Entrando Jesus em Cafarnaum, dirigiu-se a ele um centurião, pedindo-lhe ajuda. E disse: "Senhor, meu servo está em casa, paralítico, em terrível sofrimento".
Jesus lhe disse: "Eu irei curá-lo".
Respondeu o centurião: "Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado.
Pois eu também sou homem sujeito à autoridade, com soldados sob o meu comando. Digo a um: ‘Vá’, e ele vai; e a outro: ‘Venha’, e ele vem. Digo a meu servo: ‘Faça isto’, e ele faz".
Ao ouvir isso, Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam: "Digo-lhes a verdade: Não encontrei em Israel ninguém com tamanha fé.
Eu lhes digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos céus.
Mas os súditos do Reino serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes".
Então Jesus disse ao centurião: "Vá! Como você creu, assim lhe acontecerá! " Na mesma hora o seu servo foi curado. Mateus 8:5-13
O registro bíblico se passa na cidade de Cafarnaum, do  hebraico: Kephar Nachûm, que significa "aldeia" ou "vila de Naum". Esta cidade ficava na margem norte do Mar da Galileia, terra natal do apostolo Pedro. Também eram de lá outros pescadores que se tornaram apóstolos: André (irmão de Pedro) e os irmãos Tiago e João. Mateus também era de Cafarnaum, mas não era pescador e sim fiscal de impostos. Deixou a profissão de lado para seguir o Messias.
Mateus nos conta o encontro de Jesus com o centurião comandante do destacamento romano que estava em Cafarnaum, o qual o havia procurado pois, tinha um servo muito enfermo, paralítico e em “terrível sofrimento”, dando a entender que além da paralisia, sofria em dores.
Um centurião era o oficial responsável por comandar uma centúria, dando ordens que deveriam ser prontamente obedecidas pelos homens que liderava, inclusive na rápida execução de uma formação militar e, encarregava-se da disciplina e instrução da legião. Devido ao fato de que na maioria das vezes as legiões estarem distantes do comando central, os centuriões eram escolhidos pelas suas capacidades de comando e pela prontidão em lutarem até à morte.
Esse homem de guerra, demonstra claramente ser cuidadoso com seu servo, ao ponto de que, assim que soube que Jesus de Nazaré chegara à cidade, onde já realizara milagres, empenhou-se em chegar-se até Ele e rogou-lhe pelo seu escravo. Destaque-se que o centurião não pediu que Jesus fosse até a sua casa para realizar a cura, mas o Salvador respondeu imediatamente: "Eu irei curá-lo". Isso foi mais do que o centurião pedira; implorara em favor da cura de seu escravo, mas não estava esperando a presença pessoal de Jesus.
(Importante lembrar que em outra ocasião, certo oficial do rei foi até Jesus e suplicou-lhe: “Senhor, vem, antes que o meu filho morra.” (Jo 4:49) Jesus não foi visitar o filho do oficial, mas enviou sua palavra poderosa, e o curou.)
No caso do centurião, era um escravo, e não uma criança, que estava sofrendo. No primeiro caso, Jesus confronta o nobre dizendo: "Se vocês não virem sinais e maravilhas, nunca crerão." e depois do pedido o informa do que ocorrera: "Pode ir. O seu filho continuará vivo" (Jo 4:48-50). Já no segundo, com o centurião, demonstra a condescendência de seu espírito ao dizer: “Eu irei curá-lo”. Ou seja: “Eu mesmo comparecerei e realizarei a cura que você pede de minha parte”.
O centurião pedira que o Senhor curasse seu servo; está muito grato pela bondade de Jesus que se ofereceu para ir curá-lo; mas não quer provocar qualquer inconveniência pessoal para o Salvador. Entende que não há a mínima necessidade de que faça uma visita a sua casa e, por isso, lhe diz: “Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado.”
Importa observar que o fato ocorre com um centurião, oficial de guerra, em geral homens grosseiros e rudes que não se importam com ninguém. Formados nos campos de batalha, recebiam seu treinamento a partir das fileiras  dos soldados rasos e não por instrução intelectual, mas mediante golpes, contusões e feridas.
Podemos observar, muitas vezes, que os homens mais grosseiros, as menos cultas pessoas, têm transformado seu caráter quando chegam a crer no Senhor Jesus Cristo. Sendo assim, o centurião diz:  “Meu Senhor, eu ficaria bastante contente com tua visita: mas não mereço recebê-lo debaixo do meu teto, e não é necessária a tua presença. Tu podes curar meu servo com uma única palavra. Por isso peço-te, dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado”. Foi esse sentimento de consideração por Jesus que o levou a falar dessa maneira; e o que ele disse é notavelmente instrutivo.
Em primeiro lugar o centurião traçou um paralelo entre ele mesmo e o Senhor Jesus Cristo. O centurião disse: “Pois eu também sou homem sujeito a autoridade e com soldados sob o meu comando”. Alguns têm procurado fazer uma mudança da ênfase dada neste texto, no sentido de ensinar que a intenção do centurião era: “Estou sujeito à autoridade, mero oficial subalterno, porém posso dar algumas ordens. Tu estás sujeito à autoridade, mas és grande e poderoso, e, por isso, tu podes fazer muito mais”. Mas esse não é o sentido, de modo algum. O centurião queria dizer que ele mesmo era um homem sujeito à autoridade, não meramente um cidadão individual, mas servo de Cesar. O uniforme que usava destacava-o como militar de uma das legiões do Império Romano; a insígnia de sua farda indicava que ele era um centurião, um comandante que derivava sua posição e poder do grande Imperador em Roma. Era um homem “sujeito à autoridade”.
Não foi para desonrar Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo contrário, que esse centurião queria dizer: “Reconheço também em ti um homem sujeito à autoridade”, pois esse nosso Senhor Jesus Cristo entrou no mundo comissionado por Deus. Ele estava aqui, não meramente na sua capacidade particular, como Filho de Davi, ou como Filho de Maria, ou até mesmo como Filho de Deus; mas ele estava aqui como Aquele a quem o Pai escolhera, ungira, qualificara e enviara para levar adiante uma comissão divina. Esse oficial conseguia enxergar na pessoa de Cristo as marcas de ser comissionado por Deus. Por algum meio, ele chegara a essa conclusão segura e verdadeira, que Jesus Cristo estava agindo sob a autoridade do Deus que fez os céus e a terra; e por isso o centurião enxergava Cristo como devidamente comissionado para a sua obra.
Aquele que é comissionado para realizar alguma tarefa também recebe, da parte da autoridade superior, o poder para realizar essa tarefa. O centurião, portanto, tem soldados para cumprirem as suas ordens – “Pois eu também sou homem sujeito à autoridade e com soldados sob o meu comando; homens colocados sob o meu comando para cumprirem as minhas ordens, porque minhas ordens são autorizadas pela autoridade superior de Cesar.” Assim, esse homem parece dizer a Cristo: “Acredito que a ti está providenciada a devida assistência para o cumprimento de todos os propósitos que vieste ao mundo para cumpri-los. Se eu quero transmitir uma ordem”, diz o centurião, “digo ao meu servo: ‘Vá’, e ele vai. E se eu quero que outro venha, digo: ‘Venha’, e ele vem. Se há alguma coisa para ser feita, convoco um dos homens sob minha autoridade, e digo a ele: ‘Faça isso’ e ele faz”. Parece estar dizendo ao Salvador: “Tu, também, comissionado e nomeado pelo grande Deus, decerto tens servidores que foram destacados para te atender. Tu não fostes enviado à guerra às tuas próprias custas. Tu não fostes deixado para realizar sozinho essa obra. Devem forçosamente existir, em algum lugar, soldados e servos sujeitos a ti, os quais, não percebidos por mim, aguardam para cumprir tuas ordens”.
O paralelo fica muito claro e, isso faz com que Nosso Senhor tenha admirado a fé desse homem, que o capacitara a perceber essa grande verdade.
O centurião avançou em seu argumento. “Eu, um homem devidamente comissionado, tenho servos sujeitos a mim para cumprirem a minha vontade, e eu mantenho esses servos sob meu controle”. Isso falou porque sabemos que existem patrões que têm servos os quais dizem “Vão” e eles não vão, ou aos quais dizem “Venham”, mas não vêm muito rapidamente. Precisam falar “Venham” ou “Vão” várias vezes antes de os servos realmente virem ou irem; e podem dizer, ainda, “Faça isso” e outra vez, “Faça isso”, mas não é feito. Mas esse centurião era um oficial que sabia lidar com homens. Era um mandante, um verdadeiro senhor; não somente no nome, mas também no fato. Não tolerava, dentro dos seus domínios, nada que se assemelhasse a um motim ou resistência à sua vontade; tinha seus domésticos tão bem organizados, que, quando ele dizia ao servo “Faça isso”, ele fazia. O centurião era um comandante, um disciplinador do tipo que conquistara a obediência de seus servos. Bondoso, pois procurou a ajuda de Cristo para seu servo enfermo, mas também firme; de modo que o que ele dizia para ser feito, era par ser feito, e imediatamente.
O centurião transfere a Nosso Senhor essa característica. Ele não desacredita Cristo com a suposição de que Cristo não tem seus servos bem disciplinados, que ele tem servos que ousam não levar a sério suas ordens, que existem agências que se rebelaram contra o domínio e que agirão do modo que quiserem. “Não” diz ele, “Tu Jesus, comissionado pelo Pai, tem teus soldados e teus servos, e creio que tu os tens sob controle e sujeito a tamanha disciplina, que basta que tu fales, e o ato por ti ordenado é cumprido e fica firme para sempre.
Não imagino que qualquer que se diga seguidor de Cristo, seja capaz de questionar a verdade desse paralelo que o centurião tratou com tanta consideração.
Ao traçar esse paralelo, o centurião dá a entender que, uma vez que Cristo tinha poder de cumprir a vontade divina e que tinha esse poder sob seu controle, cria que Cristo estivesse disposto a dirigi-lo ao objetivo de curar o seu servo.
Para o centurião, não há qualquer dificuldade para que Jesus resolva o caso e cure seu servo. Pelo contrário, ele parece dizer: “Rei dos reis, Mestre e Senhor onipotente, tu podes imediatamente ordenar um anjo a voar até o meu servo, ou podes mandar a enfermidade deixar o meu lar, ou podes falar à paralisia, e a própria paralisia se tornará seu servo, e sairá voando imediatamente, segundo seu mandamento.
– É só estender o seu poder para o servo e ele será curado imediatamente.”
O centurião considerava Cristo o senhor de todos os tipos de poderes, poderes suficientes para todos os seus propósitos; ele considerava que Cristo o mantinha sob controle total, de modo que pudesse mandar cumprir suas ordens num único momento, e o centurião estava muito desejoso de se manter em posição subalterna. Sabemos disso porque quando Nosso Senhor Jesus se dispôs a descer até a casa do centurião, ele achou demais receber semelhante honra; parecia ter certeza de que estava sendo colocado numa posição errada. Ele mesmo não passava de um servidor e achava que, no papel específico que desempenhava, não era digno de acolher o Mestre debaixo do seu teto; diante disso, ele disse: “Dize apenas uma palavra, e meu servo será curado”.
Como dito desde o início, este fato ilustra perfeitamente o modo como devemos ver a autoridade espiritual e o modo como devemos agir.
Quando pensamos em Nosso Senhor Jesus Cristo, não precisamos nos preocupar com o modo como Ele realiza seus propósitos, como os propósitos de Deus serão realizados, ou como sua promessas serão cumpridas. A coisa principal que devemos fazer é sermos servos do Senhor e obedecê-Lo. Assim quando Ele diz a qualquer um entre nós “Vá”, que cuidemos de ir mesmo, e quando ele diz “Venha”, que realmente venhamos, e quando ele diz “Faça isso”, que tenhamos certeza de fazê-lo.
Se queremos governar o mundo, melhor será governarmos, antes, a nós mesmos. Se queremos purificar a igreja ou reformar o mundo, como poderemos fazê-lo antes de primeiro lavar nossas mãos na inocência?
Devemos nos colocar de modo adequado diante de Cristo.
A suprema questão em relação a Jesus Cristo não é de semântica (o significado das palavras), mas de homenagem (a atitude do coração). Não depende de que nossa língua seja capaz de aceitar uma formulação ortodoxa da pessoa de Jesus, mas depende de os nossos joelhos se dobrarem diante da sua majestade. Além disso, reverência sempre procede a compreensão. Só o conheceremos se estivermos dispostos a obedecer-lhe.

Vida e autoridade
E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. Efésios 4:11-13
Dificuldades dentro da igreja raramente se encontram em questões de desobediência externa; na maioria das vezes relacionam-se com a falta de submissão interna. Por isso o princípio governante de nossas vidas tem de ser a submissão. A unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, não estará tão distante, se reconhecermos a autoridade.
Certamente autoridade implica em grau de liderança e de iniciativa, mas cabe esclarecer que é aquela que foi demonstrada em Cristo quando veio estabelecer sua noiva. Mais especificamente, implica sacrifício e autodoação, do mesmo modo que Cristo por amor de nós.
Se, em algum sentido, “autoridade”, significa “poder”, então esse poder é para cuidar, e não massacrar; poder para servir, e não para dominar; poder para facilitar a realização do reino e não para frustrar essa realização. Em tudo isso o padrão deve ser a cruz de Cristo, na qual ele entregou a si mesmo, em obediência, até a morte, por meio do amor abnegado, em prol de sua Igreja.
Que Nosso Senhor Jesus Cristo, nos dê a graça de enaltecê-lo muito como Senhor e Mestre, cheio de poder, misericórdia e amor; e de nos colocar como servos dele, para que possamos servi-lo fielmente todos os dias da nossa vida.


Bibliografia e citações:


[1] Autoridade Espiritual, Watchman Nee, Ed. Vida, São Paulo, 20º impressão, 2004, pág. 6
[2] Cristianismo Autêntico, Textos Selecionados de John Stott, Timothy Dudley-Smith, Ed. Vida, 2006, pág. 128.
[3] Idem.
[4] Evangelho de João, 17:20-16, Bíblia de Estudo Pentecostal – Almeida Revista e Corrigida
[5] Baseado no sermão de Charles H. Spurgeon – 02 de outubro de 1.887